OBESIDADE ABDOMINAL EM CRIANÇAS ESCOLARES: PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS

Natália Basso Ferrazzi, Ana Caroline Branco Leite, Doroteia Hofelmann

Resumo


Estudo transversal objetivou estimar a prevalência de obesidade abdominal e verificar sua associação com variáveis demográficas, socioeconômicas, antropométricas, imagem corporal e comportamentos a ela relacionados em crianças e seus responsáveis. Foram sorteados alunos (n=717) de 22 escolas municipais do 4º e 5º anos de Itajaí, Santa Catarina. As variáveis foram coletadas por meio de questionário aplicado às crianças e aos responsáveis. Coletaram-se medidas de massa corporal, estatura e circunferência da cintura (indicador de obesidade abdominal). Razões de chance (RC) brutas, ajustadas e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC 95%) foram calculados por meio de regressão logística não condicional. As análises foram ajustadas para o efeito do delineamento. Participaram da pesquisa 602 crianças (81,7%), com idade média de 9,9 anos. A prevalência de obesidade abdominal foi de 11,3% (IC 95%: 8,7-14,0%). Variáveis do responsável como renda média (RC: 3,7; IC 95%: 1,4-10,1) ou alta (RC: 2,6; IC 95%: 1,0-6,7), e presença de excesso de massa corporal (RC: 4,9; IC 95%: 1,2-20,2) estiveram associadas à maior prevalência de obesidade abdominal entre os escolares. A realização de dietas para reduzir massa corporal (RC: 3,9; IC 95%: 1,7-9,1) e a avaliação da saúde da criança pelos pais como regular ou ruim (RC 3,6 IC 95%, 1,0-13,2) estiveram associadas ao desfecho. Medidas de intervenção destinadas a reduzir a prevalência de obesidade abdominal entre as crianças investigadas devem incluir os pais.

DOI 10.12957/demetra.2014.4851


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DOI: https://doi.org/10.12957/demetra.2014.4851

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