Protocolo brasileiro de mindfulness promove melhorias no comportamento alimentar, autocuidado e estilo de vida de usuários da atenção primária à saúde com condições crônicas
DOI:
https://doi.org/10.12957/demetra.2026.94230Palavras-chave:
Comportamento Relacionado à Alimentação. Fatores de Estilo de Vida. Manejo de Condições Crônicas. Mindfulness. SUS.Resumo
As intervenções baseadas em mindfulness vêm sendo adotadas e têm demonstrado efetividade na melhora das condições crônicas. Esta pesquisa avaliou a efetividade de um protocolo brasileiro de mindfulness para promoção da saúde (MBHP), nos formatos presencial – controle (PC) e intervenção (PI) – e on-line – controle (OC) e intervenção (OI) – no estado nutricional, comportamento alimentar e estilo de vida (práticas alimentares, nível de atividade física e autoeficácia para o exercício físico) de usuários da atenção primária à saúde com condições crônicas, na cidade de São Paulo, através de um estudo piloto, controlado e randomizado. Os resultados demonstraram que,em relação ao estado nutricional, a maioria dos participantes se encontrava com sobrepeso e obesidade, sendo o menor valor médio de IMC no grupo PC e o maior no grupo OI. Na comparação do estado nutricional antes e após as intervenções, observou-se perda de peso nos grupos PC, PI e OI, sem diferenças entre os grupos. Foram verificadas melhoras nas práticas alimentares em todos os grupos, de forma diferenciada entre eles, sendo os melhores avanços nos grupos PC e OI e redução de práticas inadequadas no grupo PI. Na avaliação do comportamento alimentar, apenas o descontrole alimentar apresentou redução significativa no grupo OC. Não foram verificadas mudanças nos parâmetros relacionados à prática e autoeficácia do exercício físico. O MBHP melhorou o comportamento alimentar, o autocuidado e o estilo de vida dos usuários avaliados, diferenciando-se a depender do formato das intervenções e do momento da avaliação.
Downloads
Referências
1. Barbosa MR, Penaforte FRO, Silva AFS. Mindfulness, mindful eating and intuitive eating in the approach to obesity and eating disorders. SMAD Rev Eletrônica Saúde Ment Álcool Drog. 2020;16(3):118-35. https://doi.org/10.11606/issn.1806-6976.smad.2020.165262
2. Freire R. Scientific evidence of diets for weight loss: Different macronutrient composition, intermittent fasting, and popular diets. Nutrition. 2020;69:110549. https://doi.org/10.1016/j.nut.2019.07.001
3. Mann T, Tomiyama AJ, Westling E, Lew AM, Samuels B, Chatman J, et al. Medicare's search for effective obesity treatments: diets are not the answer. AmPsychol. 2007;62(3):220–33. https://doi.org/10.1037/0003-066x.62.3.220
4. Garcia RWD. Representações sociais da alimentação e saúde e suas repercussões no comportamento alimentar. Physis. 1997;7(2):51-68. https://doi.org/10.1590/S0103-73311997000200004
5. Crockett AC, Myhre SK, Rokke PD. Boredom proneness and emotion regulation predict emotional eating. J Health Psychol. 2015;20(5):670-80. https://doi.org/10.1177/1359105315573439
6. Spoor STP, Bekker MHJ, van Strien T, van Heck GL. Relations between negative affect, and emotional. Appetite. 2007;48:368-76. https://doi.org/10.1016/j.appet.2006.10.005
7. Tylka TL. Development and psychometric evaluation of a measure of intuitive eating. J CounsPsychol. 2006;53(2):226–40. https://doi.org/10.1037/0022-0167.53.2.226
8. World Health Organization. Non communicable diseases country profiles 2018 [Internet]. Geneva: WHO; 2018. [Internet]. [Acesso 19 jan. 2021]. Disponível em: https://www.who.int/nmh/publications/ncd-profiles-2018/en/
9. Salvo V, Curado DF, Sanudo A, Kristeller J, Schveitizer MC, Favarato ML, et al. Comparative effectiveness of mindfulness and mindful ating programmes among low-income overweight women in primary health care: a randomised controlled pragmatic study with psychological, biochemical, and anthropometric outcomes. Appetite. 2022;177:106131. https://doi.org/10.1016/j.appet.2022.106131
10. Matsuhisa T, Fujie R, Masukawa R, Nakamura M, Mori N, Ito K, et al. Impactof a Mindfulness Mobile Application on Weight Lossand Eatin Behavior in People with Metabolic Syndrome: a Pilot Randomized Controlled Trial. Int J Behav Med. 2024;31:202-14. https://doi.org/10.1007/s12529-023-10173-2
11. Mouzinho L, Costa N, Alves T, Silva S, Limas L. Contribuições do mindfulness às condições médicas: uma revisão de literatura. Psicol Saúde Doenças. 2018;19(2):182-96. https://doi.org/10.15309/18psd190202
12. Reis AL, Kikuchi JLD, Brasil HAC, Galvão OF, Gomes DL. Efeitos de intervenção focada no comportamento alimentar e de prescrição dietética em pacientes com Diabetes Tipo 1: um estudo piloto. Ver Bras Ter Comport Cogn. 2022;24:1–26. https://doi.org/10.31505/rbtcc.v24i1.1603
13. Telles TCB, Araruna LC, Almeida MS, Melo AK. Adesão e aderência ao exercício: um estudo bibliográfico. Ver BrasPsicol Esporte. 2016;6(1):1-12. https://doi.org/10.31501/rbpe.v6i1.6725
14. Mattos RS, Luz MT. Sobrevivendo ao estigma da gordura: um estudo socioantropológico sobre obesidade. Physis. 2009;19(2):489-507. https://doi.org/10.1590/S0103-73312009000200014
15. Lohman TG, Roche AF, Martorell R. Anthropometric Standardization Reference Manual. Champaign: HumanKinetics Books; 1988.
16. Lipschitz DA. Screening for nutritional status in the elderly. PrimCare. 1994;21(1):55-67. https://doi.org/10.1016/S0095-4543(21)00452-8
17. World Health Organization (WHO). Obesity: preventing and managing the global epidemic. Geneva: WHO; 2000. (WHO TechnicalReport Series, 894)
18. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Protocolos do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN na assistência à saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2008. [Internet]. [Acesso 25 mar 2025]. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/protocolo_sisvan.pdf
19. Natacci LC, Ferreira Júnior M. The three factor eating questionnaire-R21: tradução para o português e aplicação em mulheres brasileiras. Rev Nutr. 2011;24:383-94. https://doi.org/10.1590/S1415-52732011000300002
20. Brasil. Ministério da Saúde. Como está sua alimentação? Brasília: Ministério da Saúde; 2018. Ministério da Saúde; 2008. [Internet]. [Acesso 27 mar 2025]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/10006000072.pdf
21. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2014. 156 p. [Internet]. [Acesso 02 jan 2025]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf
22. Matsudo S, Araújo T, Matsudo V, Andrade D, Andrade E, Oliveira LC, et al. Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ): estudo de validade e reprodutibilidade no Brasil. RevBrasAtivFís Saúde. 2001;6(2):5-18. https://doi.org/10.12820/rbafs.v.6n2p5-18
23. Schwarzer R, Renner B. Escalas de autoeficácia específicas para saúde [Internet]. Berlim: Universidade Livre de Berlim; 2009. [Internet]. [Acesso 05 abr 2025]. Disponível em:https://www.researchgate.net/publication/322500631_Escala_de_Autoeficacia_para_o_Exercicio_validacao_para_a_populacao_portuguesa
24. Martins AC, Silva C, Moreira J, Rocha C, Gonçalves A. Escala de autoeficácia para o exercício: validação para a população portuguesa. In: Conversas de Psicologia e do Envelhecimento Ativo. 1ª ed. Coimbra: Associação Portuguesa Conversas de Psicologia; 2017.
25. Demarzo MMP, Cebolla A, Garcia-Campayo J. The implementation of mindfulness in health care systems: a theoretical analysis. GenHospPsychiatry. 2015;37(2):166–71. https://doi.org/10.1016/j.genhosppsych.2014.11.013
26. Kabat-Zinn J. An outpatient program in behavioral medicine for chronic pain patients based on the practice of mindfullness meditation: theoretical considerations and preliminary results. GenHospPsychiatry. 1982;4(1):33–47. https://doi.org/10.1016/0163-8343(82)90026-3
27. Brasil. Ministério da Saúde; Universidade Federal de Minas Gerais. Instrutivo: metodologia de trabalho em grupos para ações de alimentação e nutrição na atenção básica. Brasília: Ministério da Saúde; 2016. [Internet]. [Acesso 07 fev 2025]. Disponível em:https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/instrutivo_metodologia_trabalho_alimentacao_nutricao_atencao_basica.pdf
28. Hawks S, Madanat H, Hawks J, Harris A. The relationship between intuitive eating and health indicators among college women. Am J Health Educ. 2005;36(6):331-6. https://doi.org/10.1080/19325037.2005.10608206
29. Hanson P, Shuttlewood E, Halder L, Shah N, Lam FT, Menon V, et al. Application of mind fullness in a Tier 3 obesity service improves eating behavior and facilitates successful weight loss. J ClinEndocrinolMetab. 2019;104(3):793-800. https://doi.org/10.1210/jc.2018-00578
30. Daubenmier J, Moran P, Kristeller J, Acree M, Bacchetti P, Kemeny ME, et al. Effects of a mindfulness-based weight loss intervention in adults with obesity: a randomized clinical trial. Obesity (Silver Spring). 2016;24(4):794-804. https://doi.org/10.1002/oby.21396
31. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Posicionamento sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade. 1ª ed. São Paulo: ABESO; 2022.
32. Brisotto M, Andretta I. Relações entre mindfulness, alimentação intuitiva e emocional em adultos. Psicol Saúde Doenças. 2021;22(1):302-13. https://doi.org/10.15309/21psd220125
33. Díaz-Tendero D, Cruzat-Mandich C, Jiménez T, Martínez P, Saravia S, Ulloa V. Mindfulness in the control of binge eating, the perspective of a Chilean adult group. Ver MexTrastorAliment. 2019;10(1):75-84. https://doi.org/10.22201/fesi.20071523e.2019.1.483
34. Martinez EZ, Silva FM, Morigi TZ, Zucoloto ML, Silva TL, Joaquim AG, et al. Physical activity in periods of social distancing due to COVID-19: a cross-sectional survey. CiênSaúde Colet. 2020;25(suppl 2), p. 4157-68. https://doi.org/10.1590/1413-812320202510.2.27242020
35. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de vigilância epidemiológica: secretarias estaduais e municipais de saúde — painel COVID-19 [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2020. [Internet]. [Acesso 13 out 2024]. Disponível em: https://covid.saude.gov.br/
36. Neace SM, Hicks AM, DeCaro MS, Salmon PG. Trait mind fullness and intrinsic exercise motivation uniquely contribute to exercise self-efficacy. J Am Coll Health. 2020;70(1):13-7. https://doi.org/10.1080/07448481.2020.1748041
37. Ruffault A, Bernier M, Juge N, Fournier JF. Mindfullness may moderate the relationship between intrinsic motivation and physical activity: a cross-sectional study. Mindfulness. 2016;7(2):445-52. https://doi.org/10.1007/s12671-015-0467-7
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Luciana Gonçalves de Orange, Bianca de Almeida Pititto, Cybelle Rolim de Lima, Rebeca Gonçalves de Melo, Renan Souto Pereira, Marcelo Marcos Piva Demarzo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE
Título do manuscrito: __________________________________________________________________
1. Declaração de responsabilidade
Certifico minha participação no trabalho acima intitulado e torno pública minha responsabilidade pelo seu conteúdo.
Certifico que o manuscrito representa um trabalho original e que nem este ou quaisquer outros trabalhos de minha autoria, em parte ou na integra, com conteúdo substancialmente similar, foi publicado ou foi enviado a outra revista.
Em caso de aceitação deste texto por parte de Demetra: Alimentação, Nutrição & Saúde, declaro estar de acordo com a política de acesso público e de direitos autorais adotadas por Demetra, que estabelece o seguinte: (a) os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sendo o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial neste periódico; (b) os autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (p.ex., publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista; e (c) os autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (p.ex., em repositórios institucionais ou em sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.
2. Conflito de interesses
Declaro não ter conflito de interesses em relação ao presente artigo.
Data, assinatura e endereço completo de todos os autores.


