Hábitos alimentares, insegurança alimentar e estresse percebido durante a pandemia de Covid-19
DOI:
https://doi.org/10.12957/demetra.2025.91051Palavras-chave:
Hábitos Alimentares. Doenças Transmissíveis. Estresse Psicológico. Insegurança Alimentar.Resumo
Introdução: Medidas restritivas durante a pandemia de Covid-19 impactaram diretamente os hábitos alimentares da população. Objetivo: Avaliar mudanças nos hábitos alimentares, acesso a alimentos e estresse percebido durante confinamento da pandemia de Covid-19,relatados por pacientes retornando ao acompanhamento ambulatorial em uma unidade de referência para o tratamento de doenças infecciosas no Rio de Janeiro. Métodos: Estudo seccional com 75 pacientes com 18 anos ou mais, de julho a dezembro de 2020. Foram coletados dados sociodemográficos, hábitos alimentares no período de confinamento, e aplicados questionários validados para avaliar marcadores de consumo alimentar saudável e não saudável (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), insegurança alimentar (versão curta da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar) e Escala de Estresse Percebido. Para a análise dos dados, foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS®) versão 16.0 (IBM Corp, Armonk, NY). Variáveis foram descritas como mediana e intervalo interquartil (IIQ), números absolutos e frequências, e a associação entre elas foi investigada pelo teste de qui-quadrado de Pearson. O nível de significância adotado foi de P valor< 0,05. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da instituição e todos os participantes assinaram termo de consentimento. Resultados: Durante o confinamento, a maioria dos pacientes referiu mudanças nos hábitos alimentares (68%) e sentiu que “descontou na comida o estresse e ansiedade” (53,3%); apesar disso, os marcadores de alimentação saudável apresentaram a maior frequência de consumo. Quase metade dos participantes (46,7%) estava em situação de insegurança alimentar. A maioria (61,9%) apresentou estresse moderado. Insegurança alimentar foi mais frequente entre pessoas com baixa renda (p=0,004), pessoas vivendo com HIV (p=0,024), pessoas que alteraram sua rotina de compras de alimentos (p=0,008), pessoas com piora dos hábitos alimentares (p=0,009)e aqueles com estresse moderado/alto (p=0,004). Conclusões: O período de confinamento da Covid-19 interferiu negativamente nos hábitos alimentares e estresse percebido dos pacientes. Embora a maioria dos pacientes tenha relatado sentimentos negativos e apresentado estresse moderado, marcadores de alimentação saudável tiveram maior frequência de consumo.
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