Hábitos alimentares, insegurança alimentar e estresse percebido durante a pandemia de Covid-19

Autores

  • Monique da Silva Monção Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Grupo de Pesquisa Clínica em Nutrição e Doenças Infecciosas. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-7320-1351
  • Aline Roberta Rodrigues da Silva Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Grupo de Pesquisa Clínica em Nutrição e Doenças Infecciosas. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-4476-6692
  • Julliana Antunes Cormack Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Grupo de Pesquisa Clínica em Nutrição e Doenças Infecciosas. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-8538-0158
  • Raquel de Vasconcellos Carvalhaes de Oliveira Fundação Oswaldo Cruz,Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Laboratório de Epidemiologia Clínica. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-9387-8645
  • Cristiane Fonseca de Almeida Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Grupo de Pesquisa Clínica em Nutrição e Doenças Infecciosas. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-0148-4065
  • Paula Simplicio da Silva Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Grupo de Pesquisa Clínica em Nutrição e Doenças Infecciosas. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-7414-9698
  • Patrícia Dias de Brito Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Grupo de Pesquisa Clínica em Nutrição e Doenças Infecciosas. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-3670-6692
  • Claudia Maria Valete Fundação Oswaldo Cruz,Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Laboratório de Pesquisa clínica e Vigilância em Leishmanioses. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-3110-9271

DOI:

https://doi.org/10.12957/demetra.2025.91051

Palavras-chave:

Hábitos Alimentares. Doenças Transmissíveis. Estresse Psicológico. Insegurança Alimentar.

Resumo

Introdução: Medidas restritivas durante a pandemia de Covid-19 impactaram diretamente os hábitos alimentares da população. Objetivo: Avaliar mudanças nos hábitos alimentares, acesso a alimentos e estresse percebido durante confinamento da pandemia de Covid-19,relatados por pacientes retornando ao acompanhamento ambulatorial em uma unidade de referência para o tratamento de doenças infecciosas no Rio de Janeiro. Métodos: Estudo seccional com 75 pacientes com 18 anos ou mais, de julho a dezembro de 2020. Foram coletados dados sociodemográficos, hábitos alimentares no período de confinamento, e aplicados questionários validados para avaliar marcadores de consumo alimentar saudável e não saudável (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), insegurança alimentar (versão curta da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar) e Escala de Estresse Percebido. Para a análise dos dados, foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS®) versão 16.0 (IBM Corp, Armonk, NY). Variáveis foram descritas como mediana e intervalo interquartil (IIQ), números absolutos e frequências, e a associação entre elas foi investigada pelo teste de qui-quadrado de Pearson. O nível de significância adotado foi de P valor< 0,05. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da instituição e todos os participantes assinaram termo de consentimento. Resultados: Durante o confinamento, a maioria dos pacientes referiu mudanças nos hábitos alimentares (68%) e sentiu que “descontou na comida o estresse e ansiedade” (53,3%); apesar disso, os marcadores de alimentação saudável apresentaram a maior frequência de consumo. Quase metade dos participantes (46,7%) estava em situação de insegurança alimentar. A maioria (61,9%) apresentou estresse moderado. Insegurança alimentar foi mais frequente entre pessoas com baixa renda (p=0,004), pessoas vivendo com HIV (p=0,024), pessoas que alteraram sua rotina de compras de alimentos (p=0,008), pessoas com piora dos hábitos alimentares (p=0,009)e aqueles com estresse moderado/alto (p=0,004). Conclusões: O período de confinamento da Covid-19 interferiu negativamente nos hábitos alimentares e estresse percebido dos pacientes. Embora a maioria dos pacientes tenha relatado sentimentos negativos e apresentado estresse moderado, marcadores de alimentação saudável tiveram maior frequência de consumo.

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Publicado

2025-12-22

Como Citar

1.
Monção M da S, da Silva ARR, Cormack JA, de Oliveira R de VC, de Almeida CF, Simplicio da Silva P, et al. Hábitos alimentares, insegurança alimentar e estresse percebido durante a pandemia de Covid-19. DEMETRA [Internet]. 22º de dezembro de 2025 [citado 25º de fevereiro de 2026];20:e91051. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/demetra/article/view/91051

Edição

Seção

Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva

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