em caxias a filosofia en-caixa?
práticas concretas de um projeto de educação filosófica, contracolonialista e antirracista
DOI :
https://doi.org/10.12957/childphilo.2026.97100Mots-clés :
contracolonial, confluência, antirracista, fronteiriço, filosofia com criançasRésumé
Essa escrita busca investigar a partir das práticas do projeto “Em Caxias, a filosofia em-caixa?”, parceria do Núcleo de Estudos em Filosofias e Infâncias (NEFI) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e a Escola Municipal Joaquim da Silva Peçanha, Duque de Caxias, Rio de janeiro, Brasil, as implicações e atravessamentos de uma educação filosófica que se afirma contracolonial e antiracista em um país marcado pelo racismo estrutural e pelo colonialismo. O projeto desenvolve práticas de filosofia com crianças a quase vinte anos na rede pública da cidade de Duque de Caxias, região periférica do Estado do Rio de Janeiro, resistindo ao silenciamento de saberes e memórias ancestrais que marginalizam corpos negros e sobretudo das crianças.
Confluenciamos conceitos: de Antônio Bispo dos Santos (Nego Bispo), a contracolonialidade e a lógica do "começo-meio-começo" em oposição ao adestramento escolar e à lógica “começo-meio-fim”. Seu pensamento e modo de vida quilombola nos inspiram a olhar a escola pública como um território confluente que não separa os saberes, mas ganham força ao confluírem; de Gloria Anzaldúa, as noções de "consciência mestiza" e "territórios fronteiriços" que nos aproximam de outras realidades coloniais e movimentos possíveis de resistência ao subverter a lógica da criação de fronteiras epistêmicas para fins de separação, assumindo a potência dos territórios fronteiriços; e da Lélia Gonzalez, que com o "pretuguês" nos evidencia que esses territórios inventam seus lugares para afirmar a vida apesar do racismo fortemente estruturado também na subjetivação da população brasileira.
O projeto fundamenta-se em uma pedagogia errante e "filosoficamente menina da pergunta", que privilegia a curiosidade, as perguntas e a perplexidade em detrimento de respostas prontas e da produtividade, apresentando duas experiencias praticas realizadas em 2025 na Escola Municipal Joaquim da Silva Peçanha. São evidencias de uma experiência com a educação filosófica de texturas e vibrações diferentes dentro do contexto de corpos racializados no cotidiano político e social e que desafiam a desumanização e o epistemicídio.
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Références
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© priscila liz belmont, vanise dutra gomes, walter omar kohan 2026

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