DOAÇÃO DE TERRAS

PROJETO PORTUGUÊS E PRÁTICA MBUNDU NO IDEAL DE CONQUISTA EM ANGOLA, 1571 – 1607

Autores

  • Luciana Lucia da Silva Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.12957/transversos.2025.93334

Palavras-chave:

Angola, Povos Mbundu, Presença portuguesa, Século XVI

Resumo

Neste artigo, temos o objetivo de pensar algumas das práticas políticas que caracterizam a presença portuguesa no Ndongo, que estava situado na região da África Centro Ocidental que ficou conhecida como Angola a partir do século XVI. Na tentativa de compreender aspectos das relações de poder a partir de então estabelecidas, discutiremos a adoção de estratégias como a doação de terras, o avassalamento e a utilização da instituição de amos. Buscaremos demonstrar que apesar de indicarem a existência de um projeto de poder português para essa região, estas estratégias têm grande relação com noções de poder mbundu. Este estudo se baseia na análise de documentos relativos à presença portuguesa e à atividade missionária no Ndongo, empreendida em diálogo com a historiografia sobre o tema.

Referências

AMARAL, Ilídio do. O Consulado de Paulo Dias de Novais: Angola no último quartel do século XVI e primeiro do século XVII. Lisboa: Ministério da Ciência e da Tecnologia, Instituto de Investigação Científica Tropical, 2000.

CANDIDO, Mariana. “Conquest, occupation, colonialism and exclusion: land disputes in Angola” In. SERRÃO; J. V.; DIREITO, B.; RODRIGUES, E.; MIRANDA, S. M. Property Rights, Land and Territory in the European Overseas Empires. Publicação Online: CEHC, ISCTE-IUL, 2014.

CARVALHO, Flávia Maria de. Sobas e homens do rei: relações de poder e escravidão em Angola (séculos XVII e XVIII). Maceió: Edufal, 2015.

CURTO, Diogo Ramada. Cultura imperial e projetos coloniais: séculos XV a XVIII. São Paulo: Editora Unicamp, 2009.

HEINTZE, Beatrix. Angola nos séculos XVI e XVII. Luanda: Kilombelombe, 2007.

SANTOS, Catarina Madeira. Escrever o poder – os autos de vassalagem e a vulgarização da escrita entre as elites africanas ndembu. Revista de História. nº 155 (2º) 2006. p. 81-95.

SANTOS, Catarina Madeira; TAVARES, Ana Paula. Áfricae Monumenta: A Apropriação da Escrita pelos Africanos: volume I – Arquivo Caculo Cacahenda. Lisboa: Instituto de Investigação Científica Tropical, 2002.

SILVA, Alberto da Costa. A manilha e o Libambo: a África e a escravidão, de 1500 a 1700. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.

TAVARES, Ana Paula. A escrita em Angola – comunicação e ruído entre as diferentes sociedades em presença. Simpósio Internacional Angola on the Move: Transport Routes, Communication, and History, Berlin, 24-26 de setembro de 2003.

Downloads

Publicado

26-08-2026