TOPONÍMIA POPULAR E URBANIZAÇÃO INFORMAL
O BAIRRO IRAQUE COMO ESPAÇO DE MEMÓRIA E RESISTÊNCIA EM LUANDA
DOI:
https://doi.org/10.12957/transversos.2025.92742Palavras-chave:
Toponímia urbana, Musseques, Territorialidades, patrimônio cultural, Memória socialResumo
Este artigo narra as dimensões socio espaciais da toponímia do bairro Iraque, localizado na periferia de Luanda, com o objetivo de compreender de que modo o topónimo reflete processos de urbanização informal, memórias de guerra e estratégias de resistência comunitária no contexto urbano luandense. A partir da realização de entrevistas semiestruturadas, cartografia histórica e revisão bibliográfica, demonstra-se que a designação “Iraque” funciona como uma metáfora territorial, associando experiências locais de precariedade, deslocamento e conflito a imaginários globais de violência. Essa nomeação reforça identidades coletivas e sustenta reivindicações de pertencimento e reconhecimento por parte dos moradores. Os resultados obtidos contribuem para os debates sobre património imaterial urbano, políticas de memória e a urgente inclusão dos musseques nos planos de desenvolvimento da cidade de Luanda. A investigação insere-se num esforço mais amplo de compreensão do processo de formação toponímica do bairro Iraque, visando identificar as motivações sociais, históricas e simbólicas que levaram à ocupação desses territórios e à atribuição de nomes marcados por significados geopolíticos e afetivos no tecido urbano da capital angolana.
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