INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E O FUTURO DA EDUCAÇÃO, ENTRE A GANÂNCIA ALGORÍTMICA E A ESPERANÇA PEDAGÓGICA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/riae.2026.92168

Resumo

A incorporação crescente da inteligência artificial (IA) nos contextos educacionais tem suscitado intensos debates sobre seus impactos nos processos formativos, particularmente no campo da avaliação das aprendizagens. Este artigo, fundamentado na pedagogia crítica de Paulo Freire e nas Epistemologias do Sul de Boaventura de Sousa Santos, propõe uma análise teórico-crítica dos potenciais e limites da IA na construção de práticas avaliativas que sejam éticas, democráticas e inclusivas. Partindo de uma abordagem dialógica, o texto problematiza os riscos associados à automação tecnocrática e descontextualizada, que tende a reduzir a complexidade dos sujeitos e das aprendizagens a métricas padronizadas, classificações meritocráticas e lógicas de desempenho. Destaca-se a crítica à chamada “ganância algorítmica”, que subordina a educação a interesses corporativos, extrai dados educacionais sem contrapartida justa e ignora os contextos socioculturais dos estudantes. Em contraposição, explora-se a noção de “esperança pedagógica” como princípio orientador para a apropriação crítica da IA, concebida não como substituta do professor, mas como ferramenta a serviço de projetos educativos comprometidos com a justiça social, cognitiva e epistêmica. Defende-se, assim, uma governança educacional da tecnologia que articule a escuta, o diálogo e a participação docente e comunitária, bem como a necessidade de regulamentação ética e pública do uso da IA nas escolas. Essa regulamentação deve estar orientada por princípios de justiça social e garantir a transparência, a proteção de dados e a soberania pedagógica das instituições educativas.

Biografia do Autor

Rafael Garcia Campos, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC na área de História, Política e Sociedade, Linha de Pesquisa, Teoria Crítica da Sociedade: função social da educação e da escola com período de mobilidade acadêmica internacional no Instituto de Investigaciones sobre la Universidad y la Educación-IISUE pela Universidad Nacional Autónoma de Mexico-UNAM (2023-2024), e no Instituto de Investigaciones para el Desarrollo de la Educación-INIDE pela Universidad IBEROAMERICANA, Cidade do México (2024-2025), Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual Paulista-UNESP na área de Saúde Pública e Linha de Pesquisa Saúde Mental (2017), Especialista em Gestão de Negócios pela Faculdade de Tecnologia-FATEC (2013), Curso de extensão em História das Ideias Pedagógicas no Brasil (2024), Pedagogo pelo Claretiano-Centro Universitário (2022) e Administrador pela Instituição Toledo de Ensino-ITE (2009). Pesquisador do "Grupo de Pesquisa sobre Transições para a Vida Adulta: Família, Escola, Trabalho" do Seminário de Pesquisa sobre Juventude da Universidad Nacional Autónoma de México-UNAM; e "Grupo de Pesquisa sobre Teoria Crítica, Educação e Cultura" - PUC de São Paulo. Atuou por mais de 10 anos na gestão de Projetos Educacionais com ampla experiência em gestão de projetos, políticas educacionais e formação docente. Professor de Pós-graduação na Faculdade Galileu de Botucatu-SP e no Centro Universitário Ítalo Brasileiro de São Paulo-SP. Experiência docente na Universidade Anhembi Morumbi. Conselheiro do Conselho Estadual de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente, regido pelos Estatutos da Fundação CASA. Revisor de Periódicos Científicos nacionais e internacionais de alto e médio impacto e possui experiência no campo educacional, com ênfase nos seguintes temas: Políticas Educacionais, Ensino Médio, Formação Docente e Justiça Social. Assistente de Pesquisa no Conselho Nacional de Humanidades, Ciências e Tecnologias (CONACYT), vinculado ao Departamento de Inovação Educacional (DIE) da Universidade Ibero-americana, Cidade do México, México.

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Publicado

16-08-2026

Como Citar

GARCIA CAMPOS, Rafael. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E O FUTURO DA EDUCAÇÃO, ENTRE A GANÂNCIA ALGORÍTMICA E A ESPERANÇA PEDAGÓGICA. Revista Interinstitucional Artes de Educar, [S. l.], v. 11, n. 3, 2026. DOI: 10.12957/riae.2026.92168. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/riae/article/view/92168. Acesso em: 13 set. 2026.