PROCESSOS FORMATIVOS ANTIRRACISTAS NA PROFISSIONALIZAÇÃO DE TRANCISTAS AFRO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/riae.2024.73688

Palavras-chave:

Educação Antirracista, Espaços Formativos, Curso de Formação, Trancistas Afro, Lei Federal 10.639/20003

Resumo

Este artigo tem como proposta descrever as atividades educativas que ocorrem em um curso de formação para trancista. O curso funciona em uma instituição de comerciários no bairro de Madureira, cidade do Rio de Janeiro (RJ). As aulas são gratuitas e tem como
público-alvo: mulheres negras que ganham até três salários-mínimos, moradoras de Madureira ou de bairros e municípios adjacentes. O texto é resultado de uma etnografia que foi realizada nos meses de novembro e dezembro de 2021 e tinha como objetivo a escrita da tese de doutorado na área das Ciências Sociais. Os referenciais teóricos são do campo da Decolonialidade, Antropologia Social e Educação para as Relações Étnico-raciais. Os métodos e técnicas de pesquisa adotados foram: levantamento bibliográfico, revisão de literatura, entrevistas semi-estruturadas, aplicação de questionário eletrônico, caderno de campo e observação participante. Em suma, o artigo trata dos processos educativos antirracistas na formação de trancistas afro na cidade do Rio de Janeiro.

Biografia do Autor

Luane Bento dos Santos, Doutora em Ciências Sociais PPGCIS/PUC-Rio

Doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica/PUC-Rio. Mestre em Relações Etnicorracias pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET- RJ). Bacharel e Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade do  Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Bacharel em  Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atuou como professora regente da disciplina Etnociência e Educação no curso de Formação de Professores para História e Cultura Africana e Afro-brasileira da ONG CEAP e como professora de Sociologia na Educação Básica no Ensino Médio Regular, Educação de Jovens e Adultos e Formação de Professores. Membra da da área de Ciência e Tecnologia da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros/ABPN. Possui experiência em Antropologia Social, Ensino de Ciências Sociais, Etnomatemática, Educação e Relações Étnico-raciais, Gênero, Saberes Populares e Científicos. Tem interesse nos seguintes temas: Formação docente para as Relações Étnico-raciais, Práticas Pedagógicas dos Movimentos Sociais nos espaços Educativos (formais e informais), Corporeidade Negra Feminina, Trajetória de Intelectuais Negros e Indígenas na Educação, Liberdade Religiosa e Direito à Educação e Ciência e Tecnologia Africana e Afro-diaspórica.

Referências

BENTO, Maria A. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.BERNARDINO-COSTA, Joaze; GROSFOGUEL, Ramón. Decolonialidade e perspectiva negra. Revista Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, p. 15-24, jan/abr 2016.

BOUZÓN, Patrícia G. Construindo identidades: um estudo etnográfico sobre manipulação de aparência em salões de beleza na cidade do Rio de Janeiro. Tese de Doutorado em Antropologia Social. Programa de Pós-graduação em Antropologia do Museu Nacional. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2010.

CAVALLEIRO, Eliane. Racismo e anti-racismo na escola: repensando nossa escola. Belo Horizonte: Selo Negro Edições, 2007.

CRUZ, Denise F. C. Que beleza busca Vanda?: Ensaios sobre cabelo no Brasil e em Moçambique. Belo Horizonte: Letramento, 2019. 192p.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2003.

FRY, Peter. Estética e política: relações entre “raça”, publicidade e produção da beleza no Brasil. In: GOLDENBERG, M. (org.) Nu e vestido: dez antropólogos revelam a cultura do corpo carioca. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 303-325.

GOMES, Nilma L. Sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolo de identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

GOMES, Nilma L. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Rio de Janeiro: Vozes, 2017.

KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação: episódios de racismo no cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

LUCINDA, Maria da Consolação. Subjetividades e fronteiras: uma perspectiva etnográfica da manipulação da aparência. Dissertação Mestrado em Antropologia Social. Museu Nacional, UFRJ, Rio de Janeiro, 2004.

NASCIMENTO, Abdias do. O Quilombismo. Petrópolis: Vozes, 1980.

OLIVEIRA, Luís F. O que é uma educação decolonial, Rio de Janeiro: Faculdade de Educação, 2017.

OLIVEIRA, Luiz F. Concepções docentes sobre as relações étnico-raciais em educação e a Lei 10.639/03. In: Anais da 30a Reunião da ANPED. Caxambu: GT: Didática, 2007.

PEREIRA, Amauri M. Guerrilhas na Educação: a ação pedagógica do Movimento Negro na escola pública. Revista Educação em Debate, v. 2, n°. 46, p. 26-35, 2003.

SCHWARCZ, Lilia M. Espetáculo da miscigenação. Estudos Avançados, v. 8, n. 20, 1994

SILVA, Ciranilda C. Vidas trançadas: a vivência e o trabalho das trançadeiras do Centro Histórico de Salvador/BA. Dissertação de Mestrado em Antropologia Social. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia 2013. 115p.

SILVA, Gleicy M. Empreendimentos Sociais, Negócios Culturais: uma etnografia das relações entre economia e política a partir da Feira Preta em São Paulo. Tese de Doutorado em Antropologia Social. Universidade de São Paulo, 2016.

SONGA, Eufrásia N. (Re)significações das tranças e outros penteados em Angola: as moças das tranças na “Praça Nova” da cidade do Lubango. Dissertação de Mestrado em Antropologia Social. Universidade Federal de Goiás, 2017.

SOUZA, Ana Lúcia da S. Letramento de reexistência: poesia, grafite, música, dança: HIP-HOP. São Paulo: Parábola, 2011.

Downloads

Publicado

09-01-2024

Como Citar

SANTOS, Luane Bento dos. PROCESSOS FORMATIVOS ANTIRRACISTAS NA PROFISSIONALIZAÇÃO DE TRANCISTAS AFRO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. Revista Interinstitucional Artes de Educar, [S. l.], v. 10, n. 1, p. 249–268, 2024. DOI: 10.12957/riae.2024.73688. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/riae/article/view/73688. Acesso em: 25 jul. 2024.

Edição

Seção

DOSSIÊ - 20 ANOS DA LEI 10.639: CONVERSAS CURRICULARES ENTRE SABERES, PRÁTICAS E POLÍTICAS ANTIRRACISTAS