A biopolítica afirmativa e reconfiguração da prática do serviço social em ONGS durante a ditadura no Chile
DOI:
https://doi.org/10.12957/rep.2026.99184Palavras-chave:
Serviço social, democracia, estado neoliberal, política afirmativa, ditaduraResumo
O caráter fundacional da ditadura civil-militar no Chile (1973 – 1990) e suas ações repressivas transformaram as regras de convivência social na última metade do século XX, afetando profundamente os atores vinculados à Unidade Popular, incluindo assistentes sociais e seus aliados no Estado e nas organizações de classe. Esse cenário caracterizou-se pelo enxugamento da ação social estatal no campo social, pela demissão de profissionais, pela repressão às organizações de classe e pela institucionalização do neoliberalismo, o que reconfigurou a prática do Serviço Social. Nesse contexto, as ONGs surgiram como espaços alternativos de intervenção, favorecendo a produção de conhecimento e a articulação de redes profissionais, permitindo a subsistência e a projeção profissional fora do Estado. Favoreceram o vínculo com movimentos sociais, promovendo uma biopolítica afirmativa orientada à sustentabilidade da vida, em defesa da vida diante da violência do Estado. As iniciativas de desenvolvimento local implementadas atuaram como microespaços de democracia que, em interação com as dinâmicas do movimento social, contribuíram para a reconstrução do tecido social e político, promovendo formas de biopolítica afirmativa. Isso potencializou o reconhecimento e a visibilidade do Serviço Social na produção de conhecimento crítico. Após a ditadura, as ONGs passaram a se vincular ao Estado e experimentaram processos de institucionalização no interior da política neoliberal, com perda de autonomia e subordinação às logicas de mercado na implementação de políticas sociais.
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