O FUNK COMO ARTEFATO CULTURAL NO COTIDIANO ESCOLAR
EXPRESSÕES E SUBJETIVIDADES INFANTIS
DOI:
https://doi.org/10.12957/redoc.2025.90843Resumo
Este artigo tem como objetivo investigar o funk como um artefato cultural que influencia a construção das subjetividades infantis, especialmente no que se refere às questões de gênero e sexualidade. A pesquisa fundamenta-se na perspectiva foucaultiana e nos Estudos Culturais para analisar como as músicas, em particular o funk, operam como discursos que regulam e produzem identidades. Para isso, foi realizada uma análise do discurso de inspiração foucaultiana, baseada em uma cena vivenciada por uma das autoras na Educação Infantil, na qual crianças reproduziam coreografias e cantavam letras de uma música no ambiente escolar. A partir dessa observação, o artigo problematiza a maneira como a música, enquanto artefato cultural, funciona como um dispositivo de poder, moldando comportamentos e representações de feminilidade e masculinidade. Os resultados apontam que as crianças, mesmo sem ter total compreensão do conteúdo das músicas, são atravessadas por discursos normativos que influenciam suas interações e modos de ser. Além disso, destaca-se o papel da escola como um espaço que pode tanto reforçar quanto tensionar essas normatividades. Conclui-se que é essencial que a escola promova uma abordagem crítica sobre os discursos culturais que atravessam a infância, permitindo reflexões que ampliem as possibilidades de vivência dos sujeitos. Em vez de censurar determinados estilos musicais, é fundamental fomentar discussões sobre seus significados, reconhecendo a música como um artefato cultural que molda identidades e relações sociais.
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