O FUNK COMO ARTEFATO CULTURAL NO COTIDIANO ESCOLAR

EXPRESSÕES E SUBJETIVIDADES INFANTIS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/redoc.2025.90843

Resumo

Este artigo tem como objetivo investigar o funk como um artefato cultural que influencia a construção das subjetividades infantis, especialmente no que se refere às questões de gênero e sexualidade. A pesquisa fundamenta-se na perspectiva foucaultiana e nos Estudos Culturais para analisar como as músicas, em particular o funk, operam como discursos que regulam e produzem identidades. Para isso, foi realizada uma análise do discurso de inspiração foucaultiana, baseada em uma cena vivenciada por uma das autoras na Educação Infantil, na qual crianças reproduziam coreografias e cantavam letras de uma música no ambiente escolar. A partir dessa observação, o artigo problematiza a maneira como a música, enquanto artefato cultural, funciona como um dispositivo de poder, moldando comportamentos e representações de feminilidade e masculinidade. Os resultados apontam que as crianças, mesmo sem ter total compreensão do conteúdo das músicas, são atravessadas por discursos normativos que influenciam suas interações e modos de ser. Além disso, destaca-se o papel da escola como um espaço que pode tanto reforçar quanto tensionar essas normatividades. Conclui-se que é essencial que a escola promova uma abordagem crítica sobre os discursos culturais que atravessam a infância, permitindo reflexões que ampliem as possibilidades de vivência dos sujeitos. Em vez de censurar determinados estilos musicais, é fundamental fomentar discussões sobre seus significados, reconhecendo a música como um artefato cultural que molda identidades e relações sociais.

Biografia do Autor

Ludmilla Carneiro Araujo, Universidade Federal de Viçosa

Pedagoga, mestra em Educação pela Universidade Federal de Viçosa. Realiza pesquisas e estudos nas áreas de gênero e sexualidades, produção de subjetividade, diferença, cotidianos escolares.

Patricia da Silva Ribeiro, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Mestra em Educação na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/ UNIRIO. Pedagoga pela Universidade Federal de Juiz de Fora/UFJF. Participante do NUDES - Núcleo de estudos e pesquisas em Diferenças, Educação, Gênero e Sexualidade vinculado a UNIRIO. Atuo principalmente nos seguintes temas: gênero e prática docente.

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Publicado

06-04-2026

Como Citar

ARAUJO, Ludmilla Carneiro; DA SILVA RIBEIRO, Patricia. O FUNK COMO ARTEFATO CULTURAL NO COTIDIANO ESCOLAR: EXPRESSÕES E SUBJETIVIDADES INFANTIS. Revista Docência e Cibercultura, [S. l.], v. 9, n. 3, 2026. DOI: 10.12957/redoc.2025.90843. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/re-doc/article/view/90843. Acesso em: 12 abr. 2026.