O INCÔMODO DAS “LETRINHAS”: FLUXOS E CONTRAFLUXOS DO DEBATE SOBRE GÊNERO E SEXUALIDADE NO ENSINO REMOTO EMERGENCIAL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/redoc.2022.60708

Resumo

O texto analisa as relações de poder e as estratégias de resistência que margeiam o debate sobre gênero e sexualidade na escola, particularmente a partir da emergência do chamado ensino remoto emergencial, tomando como norte discursos acerca do caso de um aluno de uma escola pública da cidade Campinas, interior de São Paulo, que foi hostilizado num grupo de WhatsApp, ao sugerir fazer um trabalho com a temática LGBTQIA+. Para subsidiar teoricamente essa discussão, busca-se amparo nas elucidações de Foucault (2008; 2010) acerca do discurso, do saber, do poder, da resistência e da verdade. No tocante à metodologia, este trabalho segue uma abordagem descritivo-interpretativa de natureza qualitativa. As análises pontuam que a hostilidade sofrida pelo discente insere-se no esteio de relações de poder, aliadas ao avanço do conservadorismo no campo político, que suscitaram estratégias de resistência, as quais fizeram emergir medidas que buscam reordenar a atuação da escola na abordagem das questões de gênero e sexualidade.

Biografia do Autor

Francisco Vieira da Silva, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

Doutor em Linguística pela Universidade Federal da paraíba (UFPB). Docente da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) e do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e do Programa de Pós-Graduação em Ensino (POSENSINO) da associação entre a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN).

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Publicado

2022-04-29

Como Citar

DA SILVA, Francisco Vieira. O INCÔMODO DAS “LETRINHAS”: FLUXOS E CONTRAFLUXOS DO DEBATE SOBRE GÊNERO E SEXUALIDADE NO ENSINO REMOTO EMERGENCIAL. Revista Docência e Cibercultura, [S. l.], v. 6, n. 2, p. 117–133, 2022. DOI: 10.12957/redoc.2022.60708. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/re-doc/article/view/60708. Acesso em: 24 abr. 2024.