Luta antirracista na educação infantil em tempos de pandemia: o que as táticas docentes revelam?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/redoc.2021.57270

Palavras-chave:

PANDEMIA 2021. ENSINO REMOTO. EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA. NARRATIVAS DOCENTES. PRODUÇÃO AUDIOVISUAL. EDUCAÇÃO INFANTIL

Resumo

A opção pela continuidade do ano letivo de 2020, na forma remota emergencial no Estado do Rio de Janeiro, resultou de deliberação político-administrativa exclusiva das instâncias de governo, cuja aplicação não foi acompanhada de um debate amplo e participativo na sociedade e, em particular, entre os profissionais de ensino, responsáveis pelos discentes e comunidade acadêmica. O objetivo deste artigo é apresentar táticas usadas por professores da educação infantil para uma educação antirracista, em meio às inadequações das instituições, realidades locais e as limitações de atendimento mínimo dos objetivos previstos na legislação brasileira relativos a cada nível de ensino. Tais astúcias dos praticantes do cotidiano são apontadas como decisivas, no sentido de evitar que a acentuada desigualdade social no interior da sociedade seja agravada pelas precárias condições de inclusão digital presentes nos lares brasileiros. Como demonstração do resultado da pesquisa, alicerçada em narrativas de docentes atuantes na educação infantil do município de Magé e interpretadas por meio da combinação dos conceitos de Boaventura de Souza Santos, Michel de Certeau e de Paulo Freire, são apresentadas três experiências do emprego de táticas que subvertem às funções atribuídas ao ensino remoto pelos gestores educacionais.

Biografia do Autor

Daise Santos Pereira, PUC-Rio de Janeiro

Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal Fluminense (2011). Pós-graduada em Ensino de História e Ciências Sociais (2015) pela mesma instituição e Mestre em Diversidade e Inclusão pelo CMPDI/IBio/UFF. Professora da Educação Básica nos municípios de Magé e Petrópolis. Mediadora Presencial do Consórcio Cederj, lecionado a disciplina de atividade de Extensão Ciência, Saúde, Educação e Ambiente no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. Integra o Grupo de Estudos sobre Cotidiano, Educação e Culturas (GECEC) da PUC-Rio, coordenado pela professora Vera Candau. Autora de materiais didáticos (MEC), para alunos e professores da Educação Básica. Possui interesse nas seguintes temáticas: Educação para as Relações Étnico-raciais, Educação Decolonial e Interculturalidade, Interdisciplinaridade, questões de ensino, materiais/métodos e Narrativas docentes. 

Marcia Guerra Pereira, Instituto Federal do Rio de Janeiro/IFRJ

Historiadora (UFF), doutora em Educação (PUCSP), Professora da Especialização em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-brasileiras. IFRJ/SG

Alana Alves Pereira, SEMEC Magé

Geógrafa (UERJ), Pós Graduada em Alfabetização das classes populares (UFF), Professora de educação infantil em Magé.

Maria Cecília Ribeiro Paixão, Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Magé - SEMEC/MAGÉ

Pedagoga (UERJ), cursando especialização em Historias e Culturas Africanas e Afro-Brasileiras (IFRJ). Professora das séries iniciais em Magé.

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Publicado

2021-07-12

Como Citar

PEREIRA, Daise Santos; PEREIRA, Marcia Guerra; PEREIRA, Alana Alves; PAIXÃO, Maria Cecília Ribeiro. Luta antirracista na educação infantil em tempos de pandemia: o que as táticas docentes revelam?. Revista Docência e Cibercultura, [S. l.], v. 5, n. 2, p. 259–278, 2021. DOI: 10.12957/redoc.2021.57270. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/re-doc/article/view/57270. Acesso em: 13 jul. 2024.

Edição

Seção

Artigo Seção Temática