TRAÇOS DE AGENTIVIDADE EM CONSTRUÇÕES PSEUDOPREDICATIVAS DE FINGIMENTO
DOI:
https://doi.org/10.12957/pr.2026.99396Palavras-chave:
Construções Pseudopredicativas de Fingimento. Traços de agentividade. Modelos Baseados no Uso.Resumo
A proposta deste artigo se concentra em discutir a presença de traços de agentividade em Construções Pseudopredicativas de Fingimento, tais como ela dá uma de santinha e eu não pago de durona, como uma propriedade semântica gradiente. Essas construções se caracterizam por desempenharem uma função atributiva, referente ao processo relacional, no que tange “relacionar um fragmento de experiência com outro” (Halliday; Matthiessen, 2004) ao conferir ao sujeito um estado fingido por meio do atributo descrito pelo slot predicativo. Parte-se do pressuposto que a percepção do estado fingido é motivada por alguma atitude, conduta ou opinião de juízo do falante quanto a si ou a outrem. Assim, objetiva-se, de modo geral, analisar os traços de agentividade presentes na construção nos termos de Halliday (1967), Fillmore (1968), Chafe (1970; 1979), Jackendoff (1972), Dowty (1989; 1991), Ignácio (2007) e Cançado (2018). Para tanto, assume-se o quadro teórico-metodológico dos Modelos Baseados no Uso (Kemmer; Barlow, 2000), mais especificamente a Gramática de Construções de Goldberg (1995; 2003; 2006) associada às contribuições cognitivistas de Bybee (2016) e ao modelo de protótipo de Taylor (1995) no entendimento que construção é o pareamento de forma e significado. Os dados analisados correspondem a usos retirados do Corpus do Português, corpus Web Dialects, (Davies, 2006) na atual sincronia e os resultados revelam que as construções pseudopredicativas de fingimento apresentam traços de agentividade do sujeito identificados que são identificados a partir da relação entre estrutura argumental (propriedade de forma) e inferências semântico-pragmáticas (propriedade de significado).
Referências
BYBEE, J. Linguagem, uso e cognição. Trad. de Angélica Furtado da Cunha. 1. edição, São Paulo: Cortez Editora, 2016.
CANÇADO, M. Um estatuto teórico para os papéis temáticos. In: MÜLLER, A. L.; NEGRÃO, E. V.; FOLTRAN, M. J. (Org.). Semântica formal. São Paulo: Editora Contexto, p. 95-124, 2003.
CANÇADO, M. Posições argumentais e propriedades semânticas. In: D.E.L.T.A., v. 21, n.1, p.23-56, 2005.
CANÇADO, M. Manual de Semântica: noções básicas e exercícios. São Paulo: Editora Contexto, 2018.
CHAFE, W. Meaning and the structure of language. Chicago: Chicago University Press, 1970.
CROFT, W. Radical Construction grammar: syntactic theory in typological perspective. Oxford: Oxford University Press, 2001.
CROFT, W. Logical and typological arguments for Radical Construction Grammar. In: ÖSTTMAN, J-O.; FRIED, M. (Org.). Constructions grammars: cognitive grounding and theoritical extension. Amsterdam: Benjamins, p. 273-314, 2005.
DAVIES, M. Corpus do Português: 45 milhões de palavras, 1300s-1900s, 2006. Disponível online em: https://www.corpusdoportugues.org . Acesso em: 01 jun. 2024.
DIESSEL, H. Construction Grammar and First Language Acquisition. In: HOFFMANN. T; TROUSDALE, G. (Org.). The Oxford Handbook of Construction Grammar. Oxford: Oxford University Press, p. 346-364, 2013.
DOWTY, D. R. On the Semantic Content of the Notion of Thematic Role. In: Chierquia, Partee e Turner (Org.). Properties, types and meaning. Studies in Linguistic and Philosophy, 2: Semantic Issues. Daordrecht: Kluver, p. 69-129, 1989.
DOWTY, D. R. Thematic Proto-Roles and Argument Selection. Language. Linguistic Society of America. [S. l.], v. 67, n. 3, p. 547-619, 1991. Disponível on-line em: https://muse.jhu.edu/article/452429/summary . Acesso em: 25 jun. 2024.
FERRARI, L. Introdução à linguística cognitiva. 1ª ed. São Paulo: Editora Contexto, 2016.
FERREIRA, B. G. P. Construção relacional: estado, mudança e resultado. Dissertação (Mestrado em Letras Vernáculas). Programa de Pós-Graduação em Letras Vernáculas, UFRJ, Rio de Janeiro, 2015.
FILLMORE, C. The case for case. In: BACH, E.; HARMS, R. (Org.). Universals in linguistie theory. New York: Hait, Rinnehart and Winston, p. 01- 88, 1968.
FRISCH, S. A.; LARGE, N. R.; ZAWAYDEH, B.; PISON, D. B. I. Emergent phonotactic generalizations in English and Arabic. In: BYBEE, J.; HOPPER, P. (Org.). Frequency and the emergence of linguistic structure. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins, p. 159-180, 2001.
GIVÓN, T. Functionalism and Grammar. Amsterdam: John Benjamins, 1995.
GOLDBERG, A. Constructions: a construction grammar approach to argument structure. Chicago: University of Chicago Press, 1995.
GOLDBERG, A. Constructions: a new theoretical approach to language. Trends in Cognitive Science. [S. l.], vol. 7. n. 5, p. 219-224, 2003.
GOLDBERG, A. Constructions at work: the nature of generalization in language. Oxford: Oxford University Press, 2006.
HALLIDAY, M. A. K.; MATTHIESSEN, C. M. I. M. An Introduction to Functional Grammar. 3. ed. London: Edward Arnold, 2004.
HALLIDAY, M. A. K. Notes on Transitivity and Theme in English. In: Journal of Linguistics 2 and 3. [S. l.], 1967.
IGNÁCIO, S. E. Ação, agentividade e causatividade em estruturas oracionais de ação-processo. In: R(CON)TEXT. LING. Vitória, n.1, p. 79-86, 2007.
JACKENDOFF, R. Semantic Interpretation in generative grammar. Cambridge, Mass.: MIT Press, 1972.
KEMMER, S.; BARLOW, M. Usage Based Models of Language. Chicago: The University of Chicago Press, 2000.
LAKOFF, G. Women fire and dangerous things: what categories reveal about the mind. Chicago: University of Chicago Press, 1987.
MIOTO, C.; SILVA, M. C. F.; LOPES, R. E. V. Novo manual de sintaxe. São Paulo: Editora Contexto, 2013.
OLIVEIRA, M. F. O agente e o paciente em língua portuguesa: caracterização em propriedades semânticas e estatuto diacrônico. Tese (Doutorado em Letras) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009.
RODRIGUES-PINTO, K. R. Construções relacionais de fingimento com os verbos "pagar" e "dar". Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas, 2021.
ROSCH, E. H. Natural categories. In: Cognitive Psychology. [S. l.], n. 4, p. 328-350, 1973.
ROSCH, E. H. Principles of categorization. In: ROSCH, E. H.; LLOYD, B. B. (Org.). Cognition and categorization. Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum, p. 27-48, 1978.
TAYLOR, J. R. Linguistic categorization: prototypes in linguistic theory. Oxford: Claredon Press, 1995.
TRAUGOTT, E.; TROUSDALE, G. Constructionalization and Constructional Changes. Oxford: Oxford University Press, 2013.
TRAUGOTT, E.; TROUSDALE, G. Construcionalização e mudanças construcionais. Trad. de Taísa Peres de Oliveira e Angélica Furtado da Cunha. 1ª edição, Petrópolis: Editora Vozes, 2021.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Os Direitos Autorais dos artigos publicados Pensares em Revista pertencem ao(s) seu(s) respectivo(s) autor(es), com os direitos de primeira publicação cedidos à Pensares.
Os artigos publicados são de acesso público, de uso gratuito, com atribuição de autoria obrigatória de acordo com o modelo de licenciamento Creative Commons 4.0 adotado pela revista.
The Copyright of the published articles in Pensares Journal belong to the respective author(s), with the rights of first publication assigned to Pensares.
The published articles are of public access, free of charge, with attribution of obligatory authorship according to the Creative Commons 4.0 licensing model adopted by the journal.
A Pensares em Revista está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Pensares Journal is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License (Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional).
