PAPÉIS DISCURSIVO-PRAGMÁTICOS DA CONSTRUÇÃO [VAI QUE] SOB A PERSPECTIVA DA GRAMÁTICA DE CONSTRUÇÕES BASEADA NO USO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/pr.2026.99364

Palavras-chave:

Papeis discursivos, Uso discursivo, Construções condicionais, Vai que

Resumo

Este artigo busca analisar a construção [vai que], à luz da Gramática de Construções Baseada no Uso, por meio da descrição de alguns valores discursivos-pragmáticos observados em Ely (2025). Em suma, a autora caracteriza [vai que] como uma construção de base condicional que se distancia das condicionais mais prototípicas ao se aproximar de um modal epistêmico, por meio da qual o falante formula uma hipótese ou possibilidade acerca do que é enunciado. Para alcançar os objetivos deste trabalho, foi utilizada uma abordagem metodológica que une tanto análise qualitativa, como quantitativa dos dados que, por sua vez, foram coletados de duas plataformas: o Corpus do Português e a rede social Twitter. Os papéis da construção foram inicialmente mapeados com base em Ely (2025) e a partir dessa se procedeu à classificação dos dados. Além disso, para a análise quantitativa, foi utilizado o software R, que permitiu a descrição da distribuição e da frequência dos diferentes papéis discursivos mapeados. A partir da análise das ocorrências, observou-se que [vai que] apresenta papéis pragmático-discursivos distintos, sendo eles: (i) precaução, (ii) expectativa positiva, (iii) alerta, (iv) dúvida/suposição, (v) ironia, (vi) contraste e (vii) comentário.  Foi feita uma comparação do uso dessa construção com a construção in case do inglês, com papéis semelhantes, a partir da análise de Declerck e Reed (2001).

Biografia do Autor

Leyla Ely, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutora em Linguística, Professora substituta do Departamento de Letras da Universidade Federal do Rio de janeiro (RJ). leylaely@letras.ufrj.br  Lattes: http://lattes.cnpq.br/7259269880306944. OrcID: https://orcid.org/0000-0002-8221-5974

Maria Maura Cezario, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutora em Linguística; Professora Titular do Programa de Pós-graduação em Linguística da UFRJ; Rio de Janeiro-RJ; E-mail: mmcezario@letras.ufrj.br; Lattes: http://lattes.cnpq.br/7183632335615140; OrcID: https://orcid.org/0000-0002-1724-762X.

Juan Lima de Paula, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestrando em Linguística do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGLIN/UFRJ), Rio de Janeiro-RJ. E-mail: juandepaula1234@letras.ufrj.br. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8947387996574660. OrcID: https://orcid.org/0009-0000-7607-1022.

Referências

BARLOW, M.; KEMMER, S. Usage Based Models of Language. Stanford: CSLI Publications, 2000.

BYBEE, J. Language, Usage and Cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

CROFT, W. Radical Construction Grammar. Oxford: Oxford University Press. 2001.

DECLERCK, R; REED, S. Conditionals: A Comprehensive Empirical Analysis. Berlin e New York: Mouton de Gruyter. 2001. DOI: 10.1515/9783110851748.

DIESSEL, H. Demonstratives, frames of reference, and semantic universals of space. Lang. Linguist. Compass 8, 2014, p.116–132. DOI: 10.1111/lnc3.12066. Acesso em: 17 fev. 2026.

DIESSEL, H. The grammar network: how linguistic structure is shaped by language use. Cambridge: Cambridge University Press, 2019.

ELY, L. As construções [vai que] e [supondo que] do português brasileiro: uma análise cognitiva funcional baseada no uso. (Tese de doutorado). Programa de pós-graduação em Linguística, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025. 173 f.

EVANS, V; GREEN, M. Cognitive Linguistics: An Introduction. Nova York: Routledge, 2006.

FILLMORE, C. J; KAY, P; O’CONNOR, C, Regularity and idiomaticity in grammatical constructions: The case of let alone. Language, v. 64, 501–538, 1988.

GARDENFÖRS, P. Evolutionary and Developmental Aspects of Intersubjectivity. In: LILGENSTRÖN, H. ÅRNHEM, P. Consciousness Transitions, Elsevier. p. 281-305, 2007.

GOLDBERG, A. Constructions: a construction approach to argument structure. Chicago: The University of Chicago Press, 1995.

HILPERT, M. Construction Grammar and Its Application to English. Edinburgh: Edinburgh University Press. 2014.

HOFFMANN, T. Construction Grammar: The Structure of English. Cambridge: Cambridge University Press, 2022.

LANGACKER, R. W. Foundation of Cognitive Grammar (Vol. 1). Theoretical Prerequisites. Stanford: Stanford University Press, 1987.

LANGACKER, R. W. Cognitive Grammar: A Basic Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2008.

NUNBERG, G, et al. Idioms. Language, v. 70, n. 3, 1994, p. 491-538. Project MUSE, https://dx.doi.org/10.1353/lan.1994.0007.

SOARES DA SILVA, A. S. The polysemy of discourse markers: The case of pronto in Portuguese. Journal of Pragmatics, v. 38, n. 12, p. 2188-2205, 2006.

TAYLOR, J. R. The Mental Lexicon: How Language Is Represented in the Mind. Oxford: Oxford University Press, 2012.

TOMASELLO, M. Constructing a Language: A Usage-Based Approach. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2003.

TRAUGOTT, E.; TROUSDALE, G. Constructionalization and Constructional Changes. Oxford: Oxford University Press, 2013.

WULFF, S. Rethinking Idiomaticity: A Usage-Based Approach. London: Continuum, 2008.

Downloads

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Ely, L., Cezario, M. M., & Lima de Paula, J. (2026). PAPÉIS DISCURSIVO-PRAGMÁTICOS DA CONSTRUÇÃO [VAI QUE] SOB A PERSPECTIVA DA GRAMÁTICA DE CONSTRUÇÕES BASEADA NO USO . Pensares Em Revista, 37(37), 126–149. https://doi.org/10.12957/pr.2026.99364

Edição

Seção

DOSSIÊ 37: Sociolinguística, Funcionalismo e Ensino