OPERADOR ARGUMENTATIVO [VAI QUE]: DESCRIÇÃO FUNCIONAL E ATIVIDADE DE ENSINO DE GRAMÁTICA
DOI:
https://doi.org/10.12957/pr.2026.99353Palavras-chave:
Conector textual-discursivo, Operador argumentativo, Microconstrução, MacrossintaxeResumo
O presente trabalho investiga os padrões funcionais do elemento de conexão [vai que], analisando o nível de consolidação de seu uso como operador argumentativo de possibilidade, um tipo de conector textual-discursivo no âmbito da macrossintaxe que evidencia a estratégia de persuasão do produtor textual. Nesse cenário, elementos de conexão atuam entre porções textuais, auxiliando a tessitura textual, articulando predominantemente argumentatividade e (inter)subjetividade, sendo recrutados por gêneros discursivos e sequências tipológicas que colaboram para o projeto de texto do autor. Sendo assim, à luz da Linguística Textual e Linguística Funcional Centrada no Uso, este estudo tem como objetivo central apresentar esse uso do [vai que] caracterizando-o enquanto microconstrução. Valendo-nos de um corpus sincrônico do Português Brasileiro, coletado do site Corpus do Português e do Instagram, realizamos uma análise qualitativa dos dados. Os resultados apontam que [vai que] é um operador argumentativo que projeta uma hipótese a partir da asserção apresentada na porção textual que o antecede, em um movimento de retomada e avanço. Além disso, atua como mitigador de atos de fala, suavizando imposições ou conselhos. Por fim, apresentamos uma proposta de atividade didática para o trabalho com esse conector em textos opinativos, a fim de fomentar uma análise linguística crítica e reflexiva entre os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, em conformidade com os objetivos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de modo que eles reconheçam, e usem adequadamente, as estratégias argumentativas empregadas nas práticas de leitura e escrita quando se recorre a esse tipo de elemento não prototípico.
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