USOS SOCIAIS DA LÍNGUA E ENSINO: UMA LEITURA SOCIOVARIACIONISTA DAS PRÁTICAS LINGUÍSTICAS ESCOLARES
DOI:
https://doi.org/10.12957/pr.2026.99318Palavras-chave:
Linguística Aplicada. Sociolinguística Variacionista. Ensino de língua portuguesa. Ampliação de repertório. Adequação linguística.Resumo
Este trabalho investiga o ensino de língua portuguesa sob a ótica da Linguística Aplicada e da Sociolinguística Variacionista, questionando o modelo pedagógico tradicional centrado em visões homogêneas e estáticas do idioma. A investigação aponta que a persistência de propostas estritamente normativas na escola apaga a pluralidade cultural do país, transformando variantes linguísticas legítimas em pretextos para a marginalização social e gerando forte timidez e insegurança discursiva nos educandos pertencentes às classes populares. Diante desse cenário excludente, a pesquisa defende a superação de metodologias subtrativas que visam unicamente silenciar o falar materno dos estudantes para impor um padrão idealizado e artificial de pureza. Em contrapartida, propõe-se um redirecionamento curricular focado no desenvolvimento da competência comunicativa por meio da ampliação de repertório, garantindo o aprendizado da norma de prestígio sem deslegitimar as manifestações populares cotidianas. Para viabilizar essa transformação, o princípio científico da adequação assume o lugar da antiga divisão entre erro e acerto, permitindo avaliar a produção textual de acordo com as restrições e necessidades de cada contexto interativo. Conclui-se que uma prática pedagógica socialmente comprometida e democrática exige a revisão profunda dos materiais de apoio, dos sistemas avaliativos e, primordialmente, dos cursos de formação docente, consolidando uma perspectiva em que a heterogeneidade seja assumida como patrimônio e traço natural da dinâmica linguística do Brasil.
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