A produção da hegemonia na saúde
Cebes e Abrasco na Reforma Sanitária Brasileira
Palavras-chave:
Cebes, Abrasco, Hegemonia, Reforma Sanitária BrasileiraResumo
O artigo analisa a dinâmica da sociedade civil no processo da Reforma Sanitária brasileira, entre os anos de 1976 e 1988, nomeadamente a trajetória das formas organizativas das agremiações Cebes e Abrasco. Para tanto, discutirmos como a hegemonia é estabelecida e disputada na área da saúde pública, tomando como referência teórica e metodológica a noção de Estado Ampliado de Antonio Gramsci. Verificamos que em pleno processo de desmantelamento e ataques, as organizações coletivas da sociedade civil das classes subalternas na ditadura civil-militar (1964-85), Cebes e Abrasco, despontaram como importantes agentes na luta contra a agenda dominante. Sugerimos que tais organizações foram protagonistas e redefiniram a arena das lutas de classes na saúde brasileira, sem, contudo, ser possível afirmar que conquistaram a hegemonia do campo social.
Downloads
Referências
ABREU, Regina, FRANCO NETTO, Guilherme (Coord.). Projeto Memória e patrimônio da saúde pública no Brasil: a trajetória de Sérgio Arouca. Fases da Trajetória. Rio de Janeiro; 2005. Disponível em: http://www.memoriasocial.pro.br/linhas/arouca/index.htm. Acesso em: out. 2018.
ABRASCO. Centro de Documentação. Boletim Abrasco, n. 10, mar-maio 1984.
ABRASCO. Centro de Documentação. Informativo Fiocruz, ed. esp., maio 1984.
BERLINGUER, G.; FLEURY, S.; CAMPOS, G, W, S. Reforma Sanitária: Itália e Brasil. São Paulo: Hucitec; Cebes, 1988.
BRASIL. Ministério da Saúde. Anais da VIII Conferência Nacional de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 1987.
BRASIL. Ministério da Saúde. Relatório final da VIII Conferência Nacional de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 1986.
BRASIL. Art. 196. Constituição 1988. Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações determinadas pelas Emendas Constitucionais de Revisão nos 1 a 6/94, pelas Emendas Constitucionais nos 1/92 a 91/2016 e pelo Decreto Legislativo no 186/2008. Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2016.
CAMPOS, Pedro Henrique Pedreira. Ditadura e classes sociais no Brasil: as organizações empresariais e de trabalhadores da indústria da construção durante o regime civil-militar (1964-1988). Outros Tempos, v. 16, n. 27, p. 67-91, 2019.
CEBES. Revista Saúde em Debate, Biblioteca David Capistrano, Biblioteca Virtual do Cebes, n. 1-62, 1975-2025. Disponível em: http://www.docvirt.com/asp/saudeemdebate/default.asp. Acesso em: jun. 2024.
COUTINHO, Carlos Nelson. Gramsci: um estudo sobre seu pensamento político. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
DANTAS, André Vianna. Do Socialismo à Democracia: tática e estratégia na Reforma Sanitária Brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2017.
DOIMO, Ana Maria; RODRIGUES, M. M. A. A formulação da nova política de saúde no Brasil em tempos de democratização: entre uma conduta estatista e uma concepção societal da atuação política. Política & Sociedade. Florianópolis, v. 3, 2003.
ESCOREL, Sarah. Reviravolta na Saúde: Origem e articulação do movimento sanitário. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 1998.
FLEURY, Sônia (Org.). Reforma Sanitária: em busca de uma Teoria. São Paulo: Cortez, 1989.
FLEURY, Sônia (Org.). Saúde e democracia: a luta do CEBES. São Paulo: Lemos, 1997.
FLEURY, Sônia (Org.). Teoria da Reforma Sanitária: diálogos críticos. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2018.
FLEURY, S.; BAHIA, L.; AMARANTE, P. (Org.). Saúde em debate: fundamentos da Reforma Sanitária. Rio de Janeiro: Cebes, 2008.
FLEURY, S.; et al. Antecedentes da Reforma Sanitária Brasileira. Rio de Janeiro: PEC/ENSP; 1988.
FONTES, Virgínia. Sociedade civil no Brasil contemporâneo: lutas sociais e luta teórica na década de 1980. In: LIMA, Júlio Cesar França; NEVES, Lucia Maria Wanderley (Org.). Fundamentos da Educação escolar do Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2006.
FONTES, Virgínia. O Brasil e o capital-imperialismo: teoria e história. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2010.
GERSCHMAN, Silvia. A Democracia Inconclusa: Um Estudo da Reforma Sanitária Brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2011.
GOLDBAUM, Moisés. Guilherme Rodrigues da Silva: a formação do campo da Saúde Coletiva no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, p. 2129-2134, 2015.
GRAMSCI, Antônio. Cadernos do cárcere. Vol. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
GRAMSCI, Antônio. Cadernos do cárcere. Vol. 3. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.
JACOBI, Pedro. Movimentos sociais e políticas públicas: demandas por saneamento básico e saúde – São Paulo 1974-84. São Paulo: Cortez, 1993.
LIMA, Nísia Trindade; SANTANA, José Paranaguá (Org.). Ata de Fundação da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. In: Saúde Coletiva como compromisso: a trajetória da Abrasco. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2006.
LIMA, Nísia Trindade; SANTANA, José Paranaguá de; PAIVA, C. H. A. (Org.). Saúde Coletiva: a Abrasco em 35 anos de história. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2015.
MATTOS, Marcelo Badaró. Escravizados e livres: experiências comuns na formação da classe trabalhadora carioca. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2008.
MENDONÇA, Sônia Regina de. O Estado Ampliado como Ferramenta Metodológica. Marx e o Marxismo, v. 2, p. 27-43, 2014.
MENDONÇA, Sônia Regina de. Sociedade Civil em Gramsci: venturas e desventuras de um conceito. In: MENDONÇA, Sônia Regina de; DE PAULA, Dilma Andrade (Org.). Sociedade Civil: ensaios históricos. Jundiaí, SP: Paco, 2013.
NEVES, Victor. Democracia e Socialismo: Carlos Nelson Coutinho em seu tempo. Marília, SP: Anticapital, 2019.
PAIM, Jairnilson. Reforma Sanitária Brasileira: contribuição para a compreensão e crítica. Salvador; Rio de Janeiro: EdUFBA; Fiocruz, 2008.
PIÑEIRO, Théo Lobarinhas. Os simples comissários: negociantes & política no Brasil Império. Niterói, RJ: EdUFF, 2014.
RODRIGUES NETO, Eleutério. Saúde: promessas e limites da Constituição. In: TEMPORÃO, José Gomes; ESCOREL, Sara. (Org.). Saúde: promessas e limites da Constituição. Rio de Janeiro: Ed. Livres, 2019.
SADER, Eder. Quando novos personagens entraram em cena: experiências, falas e lutas dos trabalhadores da Grande São Paulo, 1970-80. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
SANTOS, P. R. E.; LOURENCO, F. S.; REIS, N. R. B. Frederico Simões Barbosa: uma trajetória de contribuições à ciência e à saúde pública. Cadernos de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v. 32, p. S27-S32, 2016.
SOPHIA, Daniela Carvalho. O Cebes e o movimento de reforma sanitária: história, política e saúde pública (Rio de Janeiro, 1970-1980). 2012. Tese (Doutorado em História das Ciências e da Saúde) – Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2012.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Tiago Siqueira Reis

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à Revista Maracanan o direito de publicação, sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, a qual permite que outros distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pela criação original.
Os dados e conceitos abordados são da exclusiva responsabilidade do autor.
A Revista Maracanan está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.


