A produção da hegemonia na saúde

Cebes e Abrasco na Reforma Sanitária Brasileira

Autores

Palavras-chave:

Cebes, Abrasco, Hegemonia, Reforma Sanitária Brasileira

Resumo

O artigo analisa a dinâmica da sociedade civil no processo da Reforma Sanitária brasileira, entre os anos de 1976 e 1988, nomeadamente a trajetória das formas organizativas das agremiações Cebes e Abrasco. Para tanto, discutirmos como a hegemonia é estabelecida e disputada na área da saúde pública, tomando como referência teórica e metodológica a noção de Estado Ampliado de Antonio Gramsci. Verificamos que em pleno processo de desmantelamento e ataques, as organizações coletivas da sociedade civil das classes subalternas na ditadura civil-militar (1964-85), Cebes e Abrasco, despontaram como importantes agentes na luta contra a agenda dominante. Sugerimos que tais organizações foram protagonistas e redefiniram a arena das lutas de classes na saúde brasileira, sem, contudo, ser possível afirmar que conquistaram a hegemonia do campo social.

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Biografia do Autor

Tiago Siqueira Reis, Universidade Federal de Roraima

Professor da Universidade Federal de Roraima, Instituto de Formação Superior Indígena – Insikiran, Licenciatura Intercultural. Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense; Mestre em História pela Universidade Nova de Lisboa; graduado em Sociologia e em História pelo Centro Universitário Internacional UNINTER e em Turismo pela Universidade Federal de Ouro Preto.

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Publicado

2025-11-21

Como Citar

SIQUEIRA REIS, Tiago. A produção da hegemonia na saúde: Cebes e Abrasco na Reforma Sanitária Brasileira. Revista Maracanan, Rio de Janeiro, Brasil, n. 40, p. 1–25, 2025. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/maracanan/article/view/85048. Acesso em: 4 fev. 2026.