Guerra e coerção na construção do território provincial de Santa Catarina (c. 1640-1821)

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.12957/revmar.2026.86796

Palabras clave:

Ilha de Santa Catarina, Guerra, Território

Resumen

O artigo procura mostrar como a montagem do aparelho militar na Ilha de Santa Catarina serviu não apenas para proteger o território do sul da América Meridional das monarquias europeias concorrentes, mas, também, para a própria consolidação de uma unidade estatal. As fortalezas e os exércitos instalados para proteger seus próprios colonos dos invasores externos serviram também como poder de polícia local. A institucionalização jurídica, fazendária e militar possibilitou por meio da coerção de seus habitantes (indivíduos livres e escravizados) a extração de bens e serviços, de modo a produzir a acumulação de renda colonial à coroa portuguesa e aos negociantes nos dois lados do Atlântico. Destaca ainda o papel da guerra – ou da mera preparação para nela entrar –, como um fator importante para o crescimento demográfico e o desenvolvimento econômico desse estabelecimento nos séculos XVIII e XIX.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

Augusto da Silva, Universidade Federal de Sergipe

Professora Associado da Universidade Federal do Sergipe, Centro de Educação de Ciências Humanas, Departamento de História. Doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo; Mestre e graduado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Citas

ALDEN, Dauril. Royal Government in Colonial Brazil: with special reference to the administration of the Marquis of Lavradio, Viceroy, 1769-1779. Berkeley; Los Angeles: University of California Press, 1968.

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, século XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

BARBA, Enrique. Dom Pedro de Cevallos. Buenos Aires: Rio Platense, 1978.

BICALHO, Maria Fernanda Batista. A cidade e o império: o Rio de Janeiro no século XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

BODELÓN, Óscar Rico. La ocupación española de Santa Catarina (1777-1778): una islã brasileña para Carlos III. 2013. Tesis (Doctoral) – Universidad de Salamanca, Salamanca, 2013.

BOXER, Charles. Salvador de Sá e a luta pelo Brasil e Angola, 1602-1686. São Paulo: Ed. Nacional; EdUSP, 1973.

CANABRAVA, Alice. O comércio português no Rio da Prata (1580-1640). Belo Horizonte; São Paulo: Itatiaia; Edusp, 1984.

CARDOSO, Vitor Hugo Bastos. As dinâmicas político-territoriais de uma comunidade periférica no Sul da América Portuguesa: a ilha de Santa Catarina e seu continente, 1680-1750. 2013. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2013.

ELLIS, Myriam. Aspectos da pesca da baleia no Brasil colonial. São Paulo: [s. n.], 1958.

GOMES, Luciano Costa. Livres, libertos e escravos na história da população de Santa Catarina. Revista Brasileira de Estudos da População, Belo Horizonte, v. 34, n. 3, p. 593-615, set.-dez. 2017.

KÜHN, Fábio. Gente da Fronteira: família, sociedade e poder no Sul da América Portuguesa – século XVIII. 2006. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal Fluminense, Niterói (RJ), 2006.

LESSA, Aluísio Gomes. Exílios Meridionais: o degredo na formação da fronteira Sul da América Portuguesa (Colônia de Sacramento, Rio Grande de São Pedro e Ilha de Santa Catarina, 1680-1810). 2016. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2016.

MAMIGONIAN, Beatriz G. Africanos em Santa Catarina: escravidão e identidade étnica (1750-1850). In: FRAGOSO, João; et al. (Org.). Nas rotas do império: eixos mercantis, tráfico e relações sociais no mundo português. Vitória: Ed. UFES, 2014.

MORAES, Antonio Carlos Robert. Território e História no Brasil. São Paulo: Anablume, 2008.

MORAES, Antonio Carlos Robert; COSTA, Wanderley Messias da. Geografia crítica: a valorização do espaço. São Paulo: Hucitec, 1984.

MONTEIRO, John Manuel. Os Guarani e a história do Brasil Meridional. In: CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras; Secretaria Municipal de Cultura 1992.

RIBEIRO, Monica da Silva. Divisão Governativa do Estado do Brasil e a Repartição do Sul. Anais do [...]. XII Encontro Regional de História da ANPUH-Rio, XII. Rio de Janeiro, 2006.

SILVA, Ana Cristina Nogueira da; HESPANHA, António Manuel. O Quadro Espacial. In: HESPANHA, António Manuel (Coord.). O Antigo Regime (1620-1807). Lisboa: Estampa, 1998.

SILVA, Augusto da. O governo da ilha de Santa Catarina e sua terra firme: território, administração e sociedade (1738-1807). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2013.

SILVA, Augusto da. Contribuições para o estudo da ocupação espanhola da ilha de Santa Catarina (1777-1778). In: SÁ, Antônio Fernando de A.; ÁLVARO, Bruno G. (Org.). Cultura, Memória e Poder: história e historiografia. Recife: UFPE, 2016.

SILVA, Augusto da. Capitania-Mor de Sergipe del Rei e governo da Ilha de Santa Catarina: estatutos, jurisdições e hierarquias. Revista Ágora, v. 32, n. 3, 2021.

TILLY, Charles. War Making and State Making as Organized Crime. In: EVANS, Peter B.; RUESCHEMEYER, Dietrich; SKOCPOL, Theda (Ed.). Bringing the State Back In. Cambridge: Cambridge University Press, 1985.

TILLY, Charles. Coerção, Capital e Estados Europeus, 990-1992. São Paulo: EdUSP, 1996.

TONERA, Roberto; OLIVEIRA, Mário Mendonça de (Org.). As defesas da ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro em 1786 de José Correia Rangel. 2 ed. rev. Florianópolis: Ed. UFSC, 2015.

Publicado

2026-04-30

Cómo citar

DA SILVA, Augusto. Guerra e coerção na construção do território provincial de Santa Catarina (c. 1640-1821). Revista Maracanan, Rio de Janeiro, Brasil, n. 41, p. 1–20, 2026. DOI: 10.12957/revmar.2026.86796. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/maracanan/article/view/86796. Acesso em: 14 may. 2026.

Número

Sección

Artigos