Por uma Inteligência Artificial actante: entre críticas apocalípticas e a potencialidade de agenciamento epistemológico nas redes sociotécnicas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/intellectus.2026.95174

Palavras-chave:

Inteligência Artificial, actante, agenciamento epistemológico

Resumo

O presente artigo propõe a categoria da Inteligência Artificial (IA) como actante epistemológico, utilizando o referencial teórico da Teoria Ator-Rede (TAR) de Latour e Callon. A pesquisa se insere no debate pós-humanista, examinando criticamente a prevalência de uma perspectiva apocalíptica e sombria sobre a IA nas Ciências Humanas, inspirada por autores como Foucault e Marx (ORTNER, 2020). Fundamentado em metodologia documental, busca-se romper com o determinismo, explorando as potencialidades da IA na produção de resistência e agenciamento nas redes sociotécnicas (CRAWFORD, 2025; HARAWAY, 2009). Com isso, o estudo traça uma interface da IA como um actante que participa ativamente da constituição do social e que deve ser pensada com e não apenas contra, para a emergência de novas formas de ação epistemológicas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Thainá Saciloto Paulon, Universidade Federal de Santa Maria

Doutoranda em Ciências Sociais (PPGCSociais - UFSM) e UX Researcher (pesquisadora de experiência do usuário). Bacharela de Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mestra em Ciências Sociais Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Morgana de Melo Machado, Universidade Federal de Santa Maria

Pós-doutoranda e doutora em Ciências Sociais com ênfase em Antropologia Social, pela UFSM (2023); Mestre em Ciências Sociais pela UFSM (2014). Especialista em Comunicação e Projetos de Mídia, pela UFN (2012). Especialista em Gestão Pública, pela UFSM (2012); Jornalista formada pela UFSM (2005).

Referências

ARESU, Alessandro (2024). Geopolitica dell’inteligenza artificiale. Milano: Feltrinelli Editore.

BECKER, Howard (2010). Mundos da Arte. Lisboa: Livros Horizonte.

BENDER, Emily M.; GEBRU, Timnit; McMILLAN-MAJOR, Angelina; SHMITCHEL, Shmargaret (2021). On the dangers of stochastic parrots: can language models be too big? In: Proceedings of the 2021 ACM Conference on Fairness, Accountability, and Transparency (FAccT). New York: ACM Press.

BOSTRÖM, Nick (2011). A History of Transhumanist Thought. Journal of Evolution and Technology, v. 14, n. 1, pp. 1-25. Disponível em: https://nickbostrom.com/papers/a-history-of-transhumanist-thought/. Acesso em: 04 nov. 2025.

BOURDIEU, Pierre; CHAMBOREDON, Jean-Claude; PASSERON, Jean-Claude (2010). O ofício de sociólogo: metodologia da pesquisa na sociologia. Petrópolis: Vozes.

BRAIDOTTI, Rosi (2013). The Posthuman. Cambridge: Polity Press.

CALLON, Michel (1986). Some elements of a sociology of translation: domestication of the scallops and the fishermen of St Brieuc Bay. The Sociological Review, v. 32, n. 3, pp. 196-229. Disponível em: https://dl1.cuni.cz/pluginfile.php/741574/mod_folder/content/0/Callon%20(Translation).pdf. Acesso em: 07 nov. 2025.

CALLON, Michel; LATOUR, Bruno (1981). Unscrewing the big leviathan: how actors macro-structure reality and how sociologists help them do so. In: KNORR-CETINA, K. D.; CICOUREL, A. (Eds.). Advances in social theory and methodology: toward an integration of micro and macro sociologies. Boston, MA: Routledge.

COCCO, Giusepe; FORTES, Felipe (2025). Aceleração algorítmica, crise de soberania e noopolítica: a batalha pelo controle das redes. Lugar Comum, Rio de Janeiro, n. 72. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/lc/article/view/68200. Acesso em: 25 out. 2025.

CROWFORD, Kate (2025). Atlas da IA: poder, política e custos planetários da inteligência artificial. São Paulo: Edições Sesc São Paulo.

FOUCAULT, Michel (1982). Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal.

FOUCAULT, Michel (1987). Vigiar e Punir: nascimento da Prisão. Petrópolis: Vozes.

GIL, Antônio Carlos (2008). Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas.

HARAWAY, Donna (2021). O manifesto das espécies companheiras: cachorros, pessoas e alteridade significativa. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo.

HARAWAY, Donna J. (1991). Simians, Cyborgs and Women: The Reinvention of Nature. New York: Routledge.

HARAWAY, Donna J. (1995). Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, n. 5, pp. 7-42. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/1773. Acesso em: 05 nov. 2025.

HARAWAY, Donna J. (2009). Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. Cadernos Pagu, n. 5, pp. 11-44.

HARAWAY, Donna J. (2016). Staying with the Trouble: Making Kin in the Chthulucene. Durham: Duke University Press. Disponível em: https://read.dukeupress.edu/books/book/27/Staying-with-the-TroubleMaking-Kin-in-the. Acesso em: 09 nov. 2025.

LATOUR, Bruno (2001). A esperança de pandora: ensaios sobre a realidade da ciência. Bauru: EDUSC.

LATOUR, Bruno (2012). Reagregando o social: uma introdução à teoria do ator-rede. Salvador: EDUFBA.

LATOUR, Bruno (2019). Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. São Paulo: Editora 34.

LECUN, Yann; BENGIO, Yoshua; HINTON, Geoffrey (2015). Deep learning. Nature, London, v. 521, n. 7553, pp. 436-444, may.

LIAKOPOULOS, Miltos (2013). Análise argumentativa. In: BAUER, Martin; GASKELL, George. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Rio de Janeiro: Vozes.

MARX, Karl (2013). A mercadoria. In: MARX, Karl. O Capital: Crítica da economia política. Livro I: O processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo.

MCCARTHY, John et al. (1955). A Proposal for the Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence, August 31.

ORTNER, Sherry (2020). A antropologia sombria e seus outros: Teoria desde os anos oitenta. Tradução e revisão de Jainara Oliveira & Chiara Albino. Sociabilidades Urbanas – Revista de Antropologia e Sociologia, v. 4, n. 11, p. 27-50.

PARISER, Eli (2012). O Filtro invisível: o que a internet está escondendo de você. Rio de Janeiro: Zahar.

TURING, Alan M. (1950). Computing Machinery and Intelligence. Mind, Oxford, v. 59, n. 236, pp. 433-460, out.

VIEIRA PINTO, Álvaro (2005). O conceito de tecnologia. Rio de Janeiro: Contraponto.

Downloads

Publicado

2026-07-13

Como Citar

PAULON, Thainá Saciloto; MACHADO, Morgana de Melo. Por uma Inteligência Artificial actante: entre críticas apocalípticas e a potencialidade de agenciamento epistemológico nas redes sociotécnicas. Intellèctus, Rio de Janeiro, v. 25, n. 2, p. 28–49, 2026. DOI: 10.12957/intellectus.2026.95174. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/intellectus/article/view/95174. Acesso em: 30 jul. 2026.