Narrativas acerca do leprosário na Ilha do Pacuio em Porto Seguro: estruturas de poder sobre o Mal de Hansen, degredo e abandono sócio-político-sanitário

Elissandro dos Santos Santana, Huillte Barbosa Jardim dos Santos, Moreno Fernandes do Nascimento, Nicholas Lula Dias Ralile, Radharani Cabrera Teixeira de Arruda

Resumo


Este trabalho resultou de pesquisa de campo em torno das Narrativas acerca do leprosário na Ilha do Pacuio ou dos Aquários em Porto Seguro: o degredo como vigilância e punição sanitário-social. Durante a investigação in loco, foram feitas entrevistas e aplicados questionários para compreender o objeto de estudo. Para a investigação, foram utilizados instrumentos de coleta via áudio, recorreu-se à memória dos entrevistados como dispositivo de compreensão e de análise das transformações diatópico-culturais que o espaço investigado sofreu ao longo do tempo. A partir das entrevistas com os habitantes da região, de consultas a arquivos públicos e a documentos históricos, buscou-se analisar os processos de ressignificação territorial e de subjetividades sobre a Ilha por meio das narrativas memoriais dos idosos no tangente à existência, transformações utilitárias e identitárias ocorridas na Ilha ao longo das últimas décadas. Para a análise dos dados coletados, optou-se por apoiar-se nos princípios dos estudos da memória com a mediação dos aportes conceituais da Antropologia, da Filosofia e da Sociologia, com base em teóricos como Michael Foucault, Michael Pollak e Maurice Halbwachs, dentre outros. De forma objetiva, os resultados alcançados trazem à tona os capítulos silenciados da história da Ilha do Pacuio, a partir de uma análise que apresenta como o referido lócus serviu de leprosário, para o degredo, a vigilância e a punição sanitário-social até transformar-se na ilha dos Aquários, espaço de diversão, turismo e lazer na atualidade.

Palavras-chave


Leprosário; Ilha do Pacuio ou dos Aquários; Porto Seguro; Degredo; Punição Sanitário-Social

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DOI: https://doi.org/10.12957/sustinere.2017.29590

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