Por uma pedagogia da amorosidade queer

Danielle Ferreira Bastos, Marília Etienne Arreguy

Resumo


O presente artigo busca o entendimento dos desafios enfrentados pela criança queer ao lidar com a normatividade na escola, na busca por caminhos que não o da intolerância. O texto argumenta que para a sobrevivência da criança queer, a amorosidade, conceito de Paulo Freire, pode subsidiar relações baseadas no diálogo. A construção argumentativa busca analisar a amorosidade através do campo psicanalítico bem como da filosofia da diferença. Por meio de uma vinheta escolar, é relatada uma cena em uma escola pública do Estado do Rio de Janeiro, a partir da qual concluímos que a amorosidade - não só voltada à criança, mas ao resgate de um lugar de autoridade do professor - propõe uma reflexão sobre a democratização das diferenças e sobre o rompimento da invisibilidade da criança queer.

Palavras-chave


teoria queer; criança queer; Paulo Freire; amorosidade; diferença

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DOI: https://doi.org/10.12957/riae.2021.63448

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e-ISSN: 2359-6856

 


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