Entre capturas biopolíticas e estratégias de resistência LGBT: um ensaio sobre a lógica fármaco-moralizante na profilaxia pré-exposição – PrEP

Jamil Cabral Sierra, Dagmar Estermann Meyer

Resumo


Apoiando-se nos estudos foucaultianos, este artigo discute processos de inclusão social da população LGBT, na interface educação e saúde, especialmente no que diz respeito às estratégias biopolíticas de controle das sexualidades LGBT. Para isso, tomamos como objeto de análise enunciados em torno da Profilaxia Pré-exposição – PrEP. Nossa aposta é a de que programas como a PrEP podem ser pensados em um duplo analítico. De um lado, tais programas ajustam-se ao contexto da governamentalidade biopolítica neoliberal, a partir de um deslocamento, na atualidade, na forma de prevenção de doenças: de uma lógica comportamental-moralizante, para uma outra lógica que chamamos de fármaco-moralizante. De outro lado, tais programas podem, concomitantemente, a partir dos modos pelos quais as pessoas subvertem o uso dessas últimas formas de prevenção, funcionar como estratégia de resistência criada no interior dos próprios dispositivos de controle.


Palavras-chave


Biopolítica; Sexualidade; LGBT; PrEP; Foucault

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DOI: https://doi.org/10.12957/riae.2020.54592

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e-ISSN: 2359-6856

 


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