CRIANÇAS BICHAS DEMASIADAMENTE FABULOSAS

Alexsandro Rodrigues, Steferson Zanoni Roseiro, Jésio Zamboni, Castiel Vitorino Brasileiro, Mariamma Fonseca Santana

Resumo


Trabalhando a vida bicha enquanto fábula, esse texto não apresenta objetivos bem definidos ou mesmo regras de leitura, mas, antes, apenas nuances de corpos e possibilidades de existência. Aqui é possível ler começando pelo meio ou por uma das extremidades, nada disso importa. Há três fábulas e um aviso por um leitor desavisado, e, em todas as partes, encontram-se bichas, corpos demoníacos, reinos fugidios e vidas comunitárias. Em uma das fábulas, é possível que o corpo seja arremetido a processos de vida poligâmicos e de políticas de amizade impensáveis no contexto da sociedade consumista-familiar; noutra, é a arte peralta endemoniada que importa como ponto de afeto; há, ainda, o convite à própria fabulação praticável com os corpos-criança que escapam de escafandros por desbotarem. Assim, portanto, a história não começa, mas é anunciada: algo se passa aqui e de nada importa. Serve apenas de convite à vida bicha demasiadamente fabulada.


Palavras-chave


Bicha; Fábula; Criança; Segurança

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DOI: https://doi.org/10.12957/riae.2017.29521

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e-ISSN: 2359-6856

 


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