Macumba em escola pública no interior sergipano Tranca Rua visita escola de ensino médio em tempo integral

Jaime Rodrigues da Silva, Cláudia Regina Cardoso Rodrigues da Silva, Bárbara Regina Cardoso Rodrigues da Silva

Resumo


A pesquisa foi construída pela contestação que um grupo de alunos, praticantes do culto afro-brasileiro da Umbanda e do Candomblé, fizeram sobre a discriminação que sofriam em uma escola pública de EMTI no interior sergipano, após a implantação de um “Clube de Protagonismo”, intitulado “Clube da Bíblia”. Ocorre que a escola, apesar de ser um ambiente democrático e plural, não deve estimular a propagação de manifestações de uma ou outra religião, visto que a opção do país é de ser um Estado Laico (art. 5º da Constituição Federal de 1988, inciso VI). Nesse sentido, apresentamos a comunidade escolar o “Sr. Tranca Rua”, “entidade/divindade” tantas vezes marginalizada e erroneamente associada ao diabo pelos neopentecostais. Para facilitar a abordagem dos fatos e a sua análise, utilizamos Foucault (1979; 2005), Caputo (2012) e Bogdan e Biklen (1994). Perseguimos dois objetivos: o de levar para a comunidade escolar a oportunidade de conhecer – pela ótica não dominante – alguns “atores” do culto afro-brasileiro, como “Tranca Rua”; propor a reflexão da necessidade de se discutir sobre a inclusão/exclusão de seres humanos, que precisaram negar a sua crença religiosa para serem aceitos, tolerados ou ignorados por um grupo social majoritário. Iniciamos a pesquisa com a coleta das impressões que os estudantes traziam de suas interações com a divindade intitulada como “Sr. Tranca Rua”. Após a coleta e análise (abordagem qualitativa), propomos uma pesquisa bibliográfica. Apresentamos o filme Besouro e fizemos diversos encontros para estimular a oralidade dos estudantes. Novas problemáticas surgiram nos encontros, mostrando a necessidade de continuar pesquisando sobre o assunto.


Palavras-chave


Exu e Tranca Rua. Clube de Protagonismo. Umbanda e do Candomblé. Pesquisa bibliográfica

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DOI: https://doi.org/10.12957/redoc.2021.56720

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