Terreiro e produção de epistemologias decoloniais: narrativas de um pesquisador-filho de santo

João Augusto dos Reis Neto

Resumo


Este texto é uma reflexão sobre as 'com-vivências' de um pesquisador-filho de santo em sua comunidade. O objetivo do texto é refletir sobre como o terreiro anuncia outras possibilidades de existências, conhecimentos e educações. Além disso, trato de pensar como a dupla pertença (à academia e ao terreiro) do pesquisador pode impactar na produção do conhecimento, na produção (e resgate) de outras epistemologias e na construção de uma perspectiva decolonial para a educação e a práxis de pesquisa. Para esse movimento, recorro à pesquisa (auto)biográfica e adoto os estudos descoloniais, especialmente os afro-latino-americanos como referencial teórico. Com isso, tento anunciar uma outra perspectiva de mundo, incluindo aí as políticas do conhecimento, os modos de produzir conhecimento, de ensinar e aprender. 


Palavras-chave


Epistemologia decolonial. Epistemologias de terreiro. Educação nos terreiros. Narrativas (auto)biográficas.

Texto completo:

PDF

Referências


ARAÚJO, Patrício Carneiro. Entre o terreiro e a escola: Lei 10639/03 e intolerância religiosa sob o olhar antropológico. 242f. Tese, Doutorado em Antropologia, Pontifícia Universidade Católica, São Paulo, 2015.

ARROYO, Miguel. Outros Sujeitos, Outras Pedagogias. Petrópolis: Vozes, 2012.

BÂ, Amadou Hampâte. A tradição viva. In: KI-ZERBO, Joseph. História Geral da África - Volume 1. 1° Edição. São Paulo: Unesco e Cortez, 2010, p. 167-212.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 4º Edição. (Tradução de Paulo Bezerra). São Paulo: Martins Fontes, 2003.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. 6° Edição. (Tradução de Paulo Bezerra). São Paulo: Martins Fontes, 2011.

BENISTE, José. Mitos Yorubás: o outro lado do conhecimento. 7° Edição. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.

BOHEN, Neusa Teresinha. A jornada do herói: a narrativa autobiográfica na construção da identidade profissional do professor. 108f. Dissertação, Mestrado em Estudos Linguísticos, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2011.

BOTELHO, Denise Maria. Memografias de Fé. Revista Calundu, v.4, n.1, p. 6-18, jan./jun. 2020.

BUENO, Belmira Oliveira. O método autobiográfico e os estudos com história de vida de professores: a questão da subjetividade. Educação e Pesquisa, n.28, v. 1, p.11-30, jan/jun, 2002.

CAPUTO, Stela Guedes. “As crianças de terreiros somos nós, as importantes”: mais algumas questões sobre os Estudos com Crianças de Terreiros. Educação e Cultura Contemporânea, v. 17, p. 362-382, fev. 2020.

CAPUTO, Stela. Guedes. Educação em terreiros e como a escola se relaciona com crianças de candomblé. 1° Edição. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.

CAPUTO, Stela Guedes. Reparar miúdo, narrar kékeré - notas sobre nossa fotoetnopoética com crianças de terreiros. Teias, v. 19, p. 36-63, jul. 2018.

CAPUTO, Stela Guedes.; PASSOS, Mailsa. Cultura e conhecimento em terreiros de candomblé - lendo e conversando com Mãe Beata de Yemonjá. In: Currículo sem Fronteiras, v. 7, n.2, p. 93-111, jul./dez.2007.

CARNEIRO, Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 339f. Tese, Doutorado em Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

CONCEIÇÃO, Lúcio André Andrade da. A pedagogia do candomblé: aprendizagens, ritos e conflitos. 128f. Dissertação, Mestrado em Educação e Contemporaneidade, Universidade do Estado da Bahia, Salvador 2006.

COSTA, Oli dos Santos. Exu, o orixá fálico da mitologia Nagô-Yorubá: demonização e sua ressignificação na Umbanda. 127f. Dissertação, Mestrado em Ciências da Religião, Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2012.

FERREIRA, João Victor Gonçalves. Terreiro é lugar de aprender: pensando as infâncias nos espaços educativos dos terreiros. Revista Giramundo, v. 6, n. 12, p. 103-116, jul./dez. 2019.

FREIRE, Paulo. Cartas a Cristina: reflexões sobre minha vida e minhas práxis. 3° Edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013.

GOMES, Marcela de Andrade. CRAS e intervenção psicopolítica: Os terreiros como lugar de pertença, acolhimento e resistência política. Revista Psicologia Política, vol. 20, n.47, p. 87-101, abr. 2020.

GUERRA, Denise. Um olhar sobre a cultura corporal de movimento afro-brasileira construída a partir da corporeidade africana. Revista África e Africanidades, ano I, n.2, p.1-6, ago./2008.

hooks, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. 2° Edição. São Paulo: Martins Fontes, 2017.

JESUS, Rita de Cássia Dias Pereira de. Narrativas implicadas sobre memória, cultura e negritude no recôncavo da Bahia. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, v.5, n. 14, p. 612-626, maio/ago. 2020.

KING, Síkírù Sàlámì; RIBEIRO, Ronilda. Exu e a ordem do universo. 2° Edição. São Paulo: Editora Oduduwa, 2015.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. 1° Edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

MARQUES, Valéria.; SATRIANO, Cecília. Narrativa autobiográfica do próprio pesquisador como fonte e ferramenta de pesquisa. Linhas Críticas, v.23, n.51, p. 369-386, jun./set. 2017.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. 1° Edição. São Paulo: n-1 Edições, 2018.

NASCIMENTO, Wanderson Flor do. Sobre os candomblés como modo de vida: imagens filosóficas entre Áfricas e Brasis. Ensaios Filosóficos, vol. 13, p. 1-18, ago./2016.

NUNES, Clarice. Memória e História da Educação: entre práticas e representações. Educação em Foco, ano 2002, v. 1, p. 1-17, 2003.

ÒKÒTÓ, Táíwò. Exu, Sabedoria e Transmissão do Conhecimento. Revista Òkòtó, set. 2019. Disponível em: https://medium.com/revistaokoto/exu-sabedoria-e-transmiss%C3%A3o-do-conhecimento-e1de1a5a8700. Acesso em 13 de set. 2020.

OLIVEIRA, Eduardo. Epistemologia da Ancestralidade. Entrelugares: Revista de Sociopoética e Abordagens Afins, v. 1, p. 1-10, 2009.

OLIVEIRA, Kiusam. Candomblé de Ketu e educação: estratégias para o empoderamento da mulher negra. 213f. Tese, Doutorado em Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

OXÓSSI, Mãe Stela de. Bom, bonito e barato. Opinião, 2012. Disponível em: http://mundoafro.atarde.uol.com.br/tag/mae-stella/. Acesso em 13/09/2020.

OYĚWÙMÍ, Oyèrónké. Visualizing the Body: Western Theories and African Subjects. In: COETZEE, Pieter; ROUX, A. P.J. (eds). The African Philosophy Reader. New York: Routledge, 2002, p. 391-415. Tradução para uso didático de Wanderson Flor do Nascimento.

PRANDI, Reginaldo. O candomblé e o tempo: concepções de tempo, saber e autoridade da África para as religiões afro-brasileiras. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v.16, n. 47, p. 43-58, Out. 2001.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del Poder, Cultura y Conocimiento en América Latina. Anuário Mariateguiano, v. 9, n. 9, 1997.

RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. 1° Edição. Rio de Janeiro: Mórula Editora, 2019.

SANTOS, Antônio Bispo dos. Colonização, Quilombos, Modos e Significações. 1° Edição. Brasília: INCTI/UnB, 2015.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula. (Orgs.). Epistemologias do Sul. 1° Edição. São Paulo: Cortez, 2010, p. 23-73.

SÃO BERNARDO, Augusto Sérgio dos Santos de. A lenda e a lei: A ancestralidade afro-brasileira como fonte epistemológica e como conceito ético-jurídico normativo. Revista Odeere, v. 3, n.6, p. 226-250, dez. 2018.

SILVA, Maria Lúcia da. Racismo e os efeitos na saúde mental. In: SEMINÁRIO SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA ESTADO DE SÃO PAULO, 2004, São Paulo. Anais do Seminário Saúde da População Negra. São Paulo, São Paulo: Instituto de Saúde, 2005, p. 129-132.

SIMAS, Luiz Antônio; RUFINO, Luiz. Encantamento: sobre política de vida. 1° Edição. Rio de Janeiro: Mórula Editora, 2020.

SODRÉ, Muniz. O terreiro e a cidade: a forma social negro-brasileira. 1° Edição. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2002.

SOUZA, Elizeu Clementino de. (Auto)Biografia, identidades e alteridade: modos de narração, escritas de si e práticas de formação na pós-graduação. Revista Fórum Identidades, ano 2, v. 4, p. 37-50, jul./dez. 2008.

SOUZA, Ellen Gonzaga Lima; COSTA, Daniel Gonzaga. Culturas infantis e Oxóssi: descolonizando com a assertividade do filho de um caçador. Crítica Educativa, v. 5, n. 1, p. 45-54, jan./jun.2019.

SOUZA, Ellen Lima. Experiências de infâncias com produções de culturas no Ilê Axé Omo Oxé Ibá Latam. 179 f. Tese, Doutorado em Educação, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2016.

TEIXEIRA, Thiago. Inflexões éticas. 1° Edição. Belo Horizonte: Editora Senso, 2019.

WILLIAM, Rodney. Apropriação cultural. 1° Edição. São Paulo: Pólen Editora, 2019.




DOI: https://doi.org/10.12957/redoc.2021.56453

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

Indexação:

           


 

Google Acadêmico::

 

(Citações /Métricas)

 

Visualizações:

 


Licença:

  Esta obra está licenciada com uma Licença  Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.