ENTRE SILÊNCIOS E PROTESTOS: UMA REFLEXÃO SOBRE ESCRITA PRETA NO CIBERESPAÇO

Jessica Mara Raul

Resumo


Mulheres negras têm, historicamente, se mobilizado em  diversos espaços políticos na busca por justiça social e, com a proliferação de smartphones e tablets ampliaram a possibilidade de registro e divulgação quase simultânea de eventos  nas plataformas de redes sociais, encurtando a distância entre um evento e sua publicização (TAYLOR, 2017). Mesmo diante das disputas necessárias com as plataformas e infraestruturas digitais, como os GAFA (Google, Amazon, Facebook e Apple), podemos observar a ascensão do ciberespaço como ambiente de articulação das mulheres negras. Este artigo se apoia em uma pesquisa qualitativa aplicada à internet, de caráter exploratório, com o objetivo de analisar a utilização das redes sociais, a partir das quais se pode verificar as “pedagogias negras”. Para tanto, busca-se identificar as ações de mulheres negras por autodefinição e autorrepresentação (COLLINS, 2016) e sua utilização para a construção de outras representações da comunidade negra no Brasil e de si mesmas. Apoiado do pressuposto de que a atuação dessas sujeitas viabilizam a disseminação de práticas educativas no que tange às relações raciais no Brasil, se pretende problematizar a potencialidade da ação de mulheres negras no ciberespaço. Assim, a escrita “ciber-ativista” (CARDOSO, 2018) se efetua enquanto prática de intervenção que perceptivelmente já contribui para a transformação das discussões sobre negritude e gênero no Brasil, configurando-se em resposta inovadora às suas representações estereotipadas, perpetuadas ao longo da história nacional.


Palavras-chave


Mulher negras. Cibercultura. Autodefinição. Interseccionalidade.

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DOI: https://doi.org/10.12957/redoc.2019.44955

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