Fatores associados ao consumo de alimentos segundo o grau de processamento na Atenção Primária à Saúde

Patrícia Pereira de Almeida, Gabriela Amorim Pereira, Mariane Alves Silva, Raquel Maria Amaral Araújo, Luciana Moreira Lima, Bruno David Henriques

Resumo


Introdução: O consumo alimentar de uma população pode estar relacionado a fatores socioeconômicos, demográficos e de estilo de vida, podendo sua qualidade ser avaliada de acordo com o grau de processamento de alimentos proposto pela Classificação NOVA. Objetivo: Avaliar o consumo de alimentos de acordo com o grau de processamento entre usuários da atenção primária à saúde em relação às condições socioeconômicas, demográficas e de estilo de vida. Métodos: Estudo transversal realizado entre setembro de 2019 e março de 2020, com adultos e idosos usuários da atenção primária à saúde no município de Guidoval-MG. Foi aplicado um questionário estruturado com variáveis socioeconômicas e demográficas e um questionário de frequência alimentar qualitativo, no qual os alimentos foram classificados conforme a classificação NOVA. Foi realizada regressão de Poisson com variância robusta, permanecendo no modelo final as variáveis com nível de significância menor que 5%. A medida de efeito utilizada foi a razão de prevalência com intervalo de confiança de 95%. Resultados: Foram avaliados 361 indivíduos. Foi encontrada maior prevalência de consumo regular de alimentos ultraprocessados entre indivíduos negros, residentes em localidades urbanas, solteiros e com maior nível socioeconômico. O maior consumo regular de alimentos in natura ou minimamente processados foi associado à cor de pele branca, maior escolaridade e a prática de atividade física. Conclusões: Fatores individuais e contextuais estudados influenciaram o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados e de ultraprocessados, sugerindo a necessidade de maior intervenção em grupos populacionais específicos e ressaltando a importância de se adotar uma alimentação saudável.

 


Palavras-chave


Atenção Primária à Saúde. Consumo de Alimentos. Alimentos Industrializados. Classe Social. Fatores Socioeconômicos. Alimentos Integrais.

Texto completo:

PDF PDF (English)

Referências


Cattafesta M, Petarli GB, da Luz TC, Zandonade E, Bezerra OMPA, Salaroli LB. Dietary patterns of Brazilian farmers and their relation with sociodemographic, labor, and lifestyle conditions. Nutr J. 2020;19(1):23. https://doi:10.1186/s12937-020-00542-y.

Menegassi B, Almeida JB, Olimpio MYM, Brunharo MSM, Langa FR. A nova classificação de alimentos: teoria, prática e dificuldades. Ciênc. saúde coletiva. 2018; 23(12): 4165-4176. https://doi.org/10.1590/1413-812320182312.30872016.

Monteiro CA, Cannon G, Levy RB, Moubarac JC, Louzada ML, Rauber F et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutr, 2019; 22(5):936‐941. https://doi.org/10.1017/s1368980018003762

Monteiro CA, Cannon G, Levy R, Moubarac JC, Jaime P, Martins AP et al. Classificação dos alimentos. Saúde Pública. NOVA. A estrela brilha. Word Nutrition., 2016; 7 (1-3):28-40.

Louzada MLC, Canella DS, Jaime PC, Monteiro CA. Alimentação e saúde: a fundamentação científica do guia alimentar para a população brasileira. - São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da USP, 2019.132 p. https://doi.org/10.11606/9788588848344.

Brasil. Ministéro da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2ª edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

Rauber F, Louzada MLC, Steele EM, Millett C, Monteiro CA, Levy RB. Ultra-Processed Food Consumption and Chronic Non-Communicable Diseases-Related Dietary Nutrient Profile in the UK (2008⁻2014). Nutrients., 2018; 10 (5):587. doi:10.3390/nu10050587

Walls HL, Johnston D, Mazalale J, Chirwa EW. Why we are still failing to measure the nutrition transition. BMJ Glob Health. 2018;3(1):e000657. https://doi:10.1136/bmjgh-2017-000657

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2017-2018: avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. - Rio de Janeiro: IBGE, 2020.

Berti TL, Rocha TF, Curioni CC, Verly JE, Bezerra FF, Canella DS et al. Food consumption according to degree of processing and sociodemographic characteristics: Estudo Pró-Saúde, Brazil. Rev. bras. epidemiol., 2019; 22: e190046. https://doi.org/10.1590/1980-549720190046.

Ternus DL, Henn RL, Bairros F, Costa JS, Olinto MTA. Dietary patterns and their association with sociodemographic and behavioral factors: 2015 Women’s Health Research, São Leopoldo (RS). Rev. bras. epidemiol., 2019; 22:e190026. https://doi.org/10.1590/1980-549720190026.

Simões BS, Barreto SM, Molina MCB, Luft VC, Duncan BB, Schmidt MI et al. Consumption of ultra-processed foods and socioeconomic position: a cross-sectional analysis of the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health. Cad. Saúde Pública, 2018, 34(3):e00019717. https://doi.org/10.1590/0102-311x00019717.

Sparrenberger K, Friedrich RR, Schiffner MD, Schuch I, Wagner MB. Consumo de alimentos ultraprocessados entre crianças de uma Unidade Básica de Saúde. J. Pediatr. (Rio J.), 2015; 91(6): 535-542, https://doi.org/10.1016/j.jped.2015.01.007.

Souza JPO, Ferreira CS, Lamounier DM, Pereira LA, Rinaldi AEM. Caracterização da Alimentação de Crianças Menores de 24 Meses em Unidades da Estratégia Saúde da Família. Rev. paul. pediatr., 2020; 38: e2019027. https://doi.org/10.1590/1984-0462/2020/38/2019027.

Relvas GRB, Buccini GS, Venancio SI. Consumo de alimentos ultraprocessados entre crianças com menos de um ano na atenção primária à saúde em uma cidade da região metropolitana de São Paulo, Brasil,. J. Pediatr. (Rio J.). 2019; 95(5): 584-592. https://doi.org/10.1016/j.jped.2018.05.004.

Perillo RD, Bernal RTI, Poças KC, Duarte EC, Malta DC. Avaliação da Atenção Primária à Saúde na ótica dos usuários: reflexões sobre o uso do Primary Care Assessment Tool-Brasil versão reduzida nos inquéritos telefônicos. Rev. bras. epidemiol., 2020; 23(supl 1): e200013. https://doi.org/10.1590/1980549720200013.supl.1.

Ribeiro AC, Sávio KEO, Rodrigues MLCF, Costa THM, Schmitz BAS. Validação de um questionário de freqüência de consumo alimentar para população adulta. Rev. Nutr., 2006; 19 (5): 553-562. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52732006000500003.

Sichieri R.; Everhart JE. Validity of a Brazilian food frequency questionnaire against dietary recalls and estimated energy intake. Nutr Res.; 1998; 18(10):1649-59.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil 2017: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico - versão eletrônica – Brasília: Ministério da Saúde, 2018. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2017_vigilancia_fatores_riscos.pdf.

Monteiro CA, Levy RB, Claro RM, Castro IRR, Cannon G. A new classification of foods based on the extent and purpose of their processing. Cad. Saúde Pública, 2010; 26(11): 2039-2049. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2010001100005.

Brasil. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução n. 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília, DOU; 2012.

Khandpur N, Cediel G, Obando DA, Jaime PC, Parra DC. Sociodemographic factors associated with the consumption of ultra-processed foods in Colombia. Rev Saude Publica. 2020; 54:19. https://doi:10.11606/s1518-8787.2020054001176

Canuto R, Fanton M; Lira PIC. Iniquidades sociais no consumo alimentar no Brasil: uma revisão crítica dos inquéritos nacionais. Ciênc. saúde coletiva. 2019; 24(9): 3193-3212. https://doi.org/10.1590/1413-81232018249.26202017.

Baraldi LG, Martinez Steele E, Canella DS, Monteiro CA. Consumption of ultra-processed foods and associated sociodemographic factors in the USA between 2007 and 2012: evidence from a nationally representative cross-sectional study. BMJ Open. 2018;8(3):e020574. doi:10.1136/bmjopen-2017-020574

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil 2019: Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/27/vigitel-brasil-2019-vigilancia-fatores-risco.pdf.

Bielemann RM, Motta JVS, Minten GC, Horta BL, Gigante DP. Consumption of ultra-processed foods and their impact on the diet of young adults. Rev Saude Publica. 2015; 49:28. https://doi:10.1590/s0034-8910.2015049005572. Acesso em: 08 jul. 2020.

Claro RM, Maia EG, Costa BVL, Diniz DP. Preço dos alimentos no Brasil: prefira preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. Cad. Saúde Pública. 2016; 32(8): e00104715. https://doi.org/10.1590/0102-311X00104715.

Costa CS, Flores TR, Wendt A, Neves RG, Assunção MCF, Santos IS. Comportamento sedentário e consumo de alimentos ultraprocessados entre adolescentes brasileiros: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2015. Cad. Saúde Pública, 2018; 34(3): e00021017. https://doi.org/10.1590/0102-311x00021017.

Rodrigues RRM, de Souza BSN, Cunha DB, Estima CCP, Sichieri R, Yokoo EM. Association between screen time and the variation of food intake markers among school-aged adolescents in Niterói/RJ, Brazil. Cad. saúde colet., 2020; 28 (1): 24-33. https://doi.org/10.1590/1414-462x202028010074.

Djupegot IL, Nenseth CB, Bere E, Bjornara HBT, Helland SH, Overby NC. The association between time scarcity, sociodemographic correlates and consumption of ultra-processed foods among parents in Norway: a cross-sectional study. BMC Public Health. 2017;17(1):447. doi:10.1186/s12889-017-4408-3.




DOI: https://doi.org/10.12957/demetra.2021.59168

e-ISSN: 2238-913X


Esta revista está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.