Cuidar e ser Cuidado”: a relação afetiva-sexual de casais sorodiferentes
DOI:
https://doi.org/10.12957/sustinere.2026.90699Palavras-chave:
Casais sorodiferentes, HIV/Aids, Relação afetiva-sexual, ConjugalidadeResumo
RESUMO: O HIV continua sendo um fenômeno global crescente. No entanto, com os avanços tecnológicos ao longo da epidemia, percebe-se uma renovação nos projetos de vida das Pessoas Vivendo com HIV/Aids (PVHA), especialmente na esfera afetiva e amorosa, possibilitando novos arranjos conjugais, inclusive com parceiros soronegativos. Este estudo investiga a vivência afetivo-sexual de casais sorodiferentes em um serviço especializado em HIV em Fortaleza, Ceará. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que utilizou a análise de conteúdo e o software IraMuTeQ para examinar e classificar os discursos das entrevistas. A partir da experiência de quatro casais sorodiferentes, foram identificadas três classes de discursos. Classe 1: A sexualidade e o medo nas relações sorodiferentes, destacando o impacto do medo da transmissão na vivência sexual. Classe 2: A revelação do diagnóstico: impactos na relação sorodiferente, abordando as reações do parceiro soronegativo e os desafios na construção do vínculo. Classe 3: Os desafios conjugais: preconceito, estigma e exclusão social, evidenciando as barreiras enfrentadas devido ao estigma e à discriminação. Conclui-se que, apesar dos desafios, o vínculo afetivo desses casais proporciona segurança, conforto e prazer na relação, demonstrando que o amor e a cumplicidade são essenciais para superar as adversidades impostas pela sorodiferença na conjugalidade.
Referências
ASSOCIAÇÃO DOS VOLUNTÁRIOS DO HOSPITAL SÃO JOSÉ. Casa de retaguarda clínica (CRC). Fortaleza: AVHSJ, 2004. Disponível em:https://avhsj.org.br/casa-de-retaguarda. Acesso em: 3 abr. 2024.
ALBUQUERQUE, J. R.; BATISTA, A. T.; SALDANHA, A. A. W. O fenômeno do preconceito nos relacionamentos sorodiferentes para o HIV/AIDS. Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde, Parnaíba, v. 2, n. 19, p. 405-421, jun. 2018.
FILHO, J. P. A. A relação entre suporte familiar e qualidade de vida de pessoas que vivem com HIV/AIDS. Temas em Saúde, João Pessoa, v. 9, n. 5, p. 557-573, maio. 2018.
ANGELIM, R. C. M. et al. Representações e práticas de cuidado de profissionais de saúde às pessoas com HIV. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 53, e03478, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1980-220X2018017903478. Acesso em: 3 abr. 2024.
BRASIL. Agência Brasil. HIV: o Brasil cumpre meta de pessoas em tratamento antirretroviral. Brasília, 2023. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2023-11/hiv-brasil-cumpre-meta-de-pessoas-em-tratamento-antirretroviral. Acesso em: 3 abr. 2025.
BRASIL. Lei nº 13.853, de 14 de junho de 2019. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais - LGPD). Brasília, 2019. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13853.htm. Acesso em: 7 jun. 2025.
CRUCES, A. V. V.; BORGES, G. M. Os impactos da Aids/HIV sobre a construção da identidade dos portadores. 2018. 14 f. TCC (Graduação) - Curso de Psicologia, Universidade Metodista de São Paulo - Umesp, São Bernardo do Campo, 2018. Cap. 9. Disponível em: https://www.conic-semesp.org.br/anais/files/2019/trabalho-1000002793.pdf. Acesso em: 03 abr. 2025.
DEUS, A. P. V.; VILA, V. S. C. O processo diagnóstico do HIV no contexto de relacionamentos estáveis: interpretação descritiva. Investigação Qualitativa em Ciências Sociais: Avanços e Desafios, Portugal, v. 9, n. 8, p. 327–355, jul. 2021.
EATON, L. A.; WEST, T. V.; KENNY, D. A.; KALICHMAN, S. C. HIV transmission risk among HIV seroconcordant and serodiscordant couples: dyadic processes of partner selection. AIDS and Behavior. Springer Science and Business Media LLC, v. 13, n. 2, p. 185–195, 25 out. 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s10461-008-9480-3. Acesso em: 7 jun. 2025.
FRAZÃO, L. R. S.; GUSMÃO, T. L. A. de; GUEDES, T. G. Construção e validade de cartilha educacional sobre saúde sexual e reprodutiva para casais sorodiferentes. Cogitare Enfermagem, Curitiba, v. 27, p. e79155, 2022.
LOBO, A. S.; LEAL, M. A. F. A revelação do diagnóstico de HIV/Aids e seus impactos psicossociais. Revista Psicologia: Diversidade e Saúde, Salvador, v. 2, n. 9, p. 174–189, jul. 2020.
MOTA, M. P. Gênero e sexualidade: fragmentos de identidade masculina nos tempos da Aids. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 1, n. 14, p. 145–155, maio. 1998.
CEARÁ. Secretaria da Saúde. Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e Prevenção. Boletim Epidemiológico HIV/Aids. Fortaleza: Governo do Estado do Ceará, 2023. 21 p. Disponível em: https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2018/06/Boletim_Epidemiologico_HIV_Aids_2023.pptx.pdf. Acesso em: 25 fev. 2024.
GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. Métodos de pesquisa. Porto Alegre, UFRGS Editora, 2009.
OLIVEIRA, J. A. A.; ARAÚJO, A. H. I. M.; ALVES, A. H. T. Estratégias ao casal em situação de sorodiscordância para o HIV: uma revisão da literatura. [S.l.]: [s.n.] 2020.
PITANGA, A. F. Pesquisa qualitativa ou pesquisa quantitativa: refletindo sobre as decisões na seleção de determinada abordagem. Revista Pesquisa Qualitativa, São Paulo, v. 8, n. 17, p. 184–201, 1 out. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.33361/rpq.2020.v.8.n.17.299. Acesso em: 7 jun. 2025.
REIS, R. K.; GIR, E. Convivendo com a diferença: o impacto da sorodiscordância na vida afetivo-sexual de portadores do HIV/AIDS. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 44, n. 3, p. 759–765, set. 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção combinada: bases conceituais para profissionais, trabalhadores(as) e gestores(as) de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 127 p.
SILVA, V. G. F. et al. Estigma e preconceito com casais sorodiferentes para o HIV. Revista Recien – Revista Científica de Enfermagem, [S.l.], v. 11, n. 34, p. 59–67, 27 jun. 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.24276/rrecien2021.11.34.59-67. Acesso em: 7 jun. 2025.
SILVA, V. G. F. da et al. HIV serodifference: the “unsaid” in the social representations of health professionals. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, v. 45, p. e20230284, 2024.
SILVA, V. G. F. da et al. O cuidado de enfermagem nas relações sorodiferentes: uma análise à luz de Imogene King. Escola Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 28, p. e20240016, 2024.
SOUZA, L. M.; SOUZA, M. L. “Parece que é normal conviver com uma pessoa que tem HIV”. Revista de Ensino de Biologia da SBEnBio, [S.l.], v. 14, n. 1, p. 97–113, 28 jun. 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.46667/renbio.v14i1.558. Acesso em: 22 jan. 2025.
SOUZA, M. A. R. de et al. O uso do software IRAMUTEQ na análise de dados em pesquisas qualitativas. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 52, p. e03353, 2018.
UNAIDS. Estigma e discriminação relacionados ao HIV: série de fichas informativas sobre direitos humanos. Genebra: UNAIDS, 2019. Disponível em: https://www.unaids.org/sites/default/files/media/documents/eliminating-discrimination-guidance_pt.pdf. Acesso em: 22 jan. 2025.
VALLE, P. R. D.; FERREIRA, J. L. Análise de conteúdo na perspectiva de Bardin: contribuições e limitações para a pesquisa qualitativa em educação. SciELO Preprints, [S.l.], 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-469849377. Acesso em: 4 abr. 2025
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Sustinere

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os Direitos Autorais dos artigos publicados na Revista Sustinere pertencem ao(s) seu(s) respectivo(s) autor(es), com os direitos de primeira publicação cedidos à Revista SUSTINERE.
Os artigos publicados são de acesso público, de uso gratuito, com atribuição da autoria original obrigatória, de acordo com o modelo de licenciamento Creative Commons 4.0 adotado pela revista.

A Revista Sustinere está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.



