Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Enfermagem: em foco as metodologias de ensino

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/sustinere.2026.89380

Palavras-chave:

Educação Profissionalizante, Ensino, Docentes, metodologias, SUS

Resumo

Este texto tem como foco a educação profissional técnica de nível médio (EPTNM) na enfermagem. O objetivo é analisar quais tendências pedagógicas estão na base dos documentos institucionais e das decisões de professores em sala de aula, a partir de suas visões, no que se refere às metodologias de ensino. Estudo descritivo-exploratório, documental, qualitativo. A coleta de dados foi realizada em uma escola pública, por meio de análise documental, com aplicação de questionário sociodemográfico e entrevista semiestruturada a sete professoras. Os dados foram analisados pela sistematização dos documentos, a partir de roteiro norteador, e análise de conteúdo das entrevistas, sendo articulados. As professoras descrevem que são livres em suas escolhas metodológicas, mas mencionam capacitações na instituição. Há documento que indica currículo organizado por competências e estratégias de ensino. As entrevistadas não se referem, porém, a finalidades postas e a teorias pedagógicas que fundamentam as suas escolhas, o que aliado ao desconhecimento das políticas da EPTNM, explicita a ênfase na dimensão técnica na organização do trabalho pedagógico. As metodologias ativas são destacadas pelas professoras e estão presentes, nas entrelinhas, na análise documental. Elas têm seus pressupostos prioritariamente assentados na escola nova e podem diversificar o ensino e problematizar situações. Todavia, isso não significa colocar em questão os problemas sociais contextualizados no modo de produção capitalista. Há documentos institucionais que apontam o desenvolvimento intelectual. No entanto, na especificidade do plano de curso e nas falas das professoras, predomina a formação para o mercado, distanciada da intencionalidade da formação para o Sistema Único de Saúde.

 

 

 

Biografia do Autor

Adriana Kátia Corrêa, EERP / USP

Possui graduação em Enfermagem pela USP (1989), mestrado em Enfermagem pela USP (1995), doutorado em Enfermagem pela USP (2000) e pós-doutorado em educação pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2015). Atualmente é professora associada do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da EERP - Universidade de São Paulo, atuando especificamente no Curso de Bacharelado e Licenciatura em Enfermagem. Tem experiência na área de Enfermagem, com ênfase na interface com a área de educação -formação de profissionais e de professores, no âmbito do ensino superior e da educação profissional técnica de nível médio, atuando principalmente nos seguintes temas: educação superior, educação profissional técnica de nível médio em saúde e enfermagem e formação de professores na área da saúde. Desde a inserção na EERP/USP, atua como docente de licenciatura e, desde 2006, é docente somente do Curso Integrado de Bacharelado e Licenciatura. Ministra aulas especificamente nas disciplinas curriculares voltadas à formação do enfermeiro professor para a atuação profissional em escolas de educação profissional da área da saúde/enfermagem, a saber: Educação Profissional em Enfermagem I e II; Metodologia do Ensino de Enfermagem e Estágio Curricular na Educação Profissional em Enfermagem. De 2002 a 2004, participou da proposição do Curso de Licenciatura na EERP, curso esse iniciado em 2006. Foi Suplente da Coordenação desse curso, de 2006 a 2008 e coordenadora de 2009 a abril de 2014. Nesse período, foi membro efetivo da Comissão Interunidades de Licenciatura USP. Em 2022, retoma ao grupo gestor desse curso, integrando a Comissão de Coordenação como membro efetivo. Está envolvida com a formação de professores da educação profissional técnica de nível médio em saúde/enfermagem e do ensino superior, participando de projetos nacionais/locais como: PROFAE, Formação de Ativadores de Processos de Mudanças na Formação Superior de Profissionais de Saúde, Projeto TEC-Saúde - SP. Coordenou, de 2004 a 2010, o Grupo de Apoio Pedagógico do Campus USP de Ribeirão Preto, grupo interdisciplinar e Interunidades, que se insere na política de valorização do ensino de graduação da USP, participando do Grupo de Apoio Pedagógico do Campus USP- Ribeirão Preto, desde 2004 e da Comissão de Apoio Pedagógico da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade de 2004 a 2012. É líder do "Grupo de Pesquisa Educação e Saúde/enfermagem: políticas, práticas, formação profissional e formação de professores", cadastrado no CNPq, desde 2008, cujo foco é realização de pesquisas no âmbito do ensino superior e da educação profissional técnica de nível médio em saúde/enfermagem. Coordena o Fórum Nacional das Licenciaturas em Enfermagem. Na pós-graduação, é responsável por disciplinas voltadas à formação docente. De 2010 a 2016, coordenou o Projeto "Pró Ensino na Saúde - CAPES (Projeto 2037/2010)" associado aos três Programas de Pós-Graduação da EERP/USP, contando também com docentes de outras Unidades de Ensino da Campus USP Ribeirão Preto, além de alunos de pós-graduação e graduação. É responsável pelo Laboratório de Práticas Pedagógicas do Curso de Bacharelado e Licenciatura em Enfermagem. Vem integrando grupos de trabalho da USP voltados às discussões sobre ensino médio e formação de professores. Participa, ainda, desde 2018, de grupo assessor para assuntos relativos à educação profissional técnica de nível médio da Diretoria de Educação da ABEn Nacional e atua como Diretora de Educação na gestão 2020-2022 e na gestão atual - ABEn - SP. Vem participando do processo de construção das novas DCN enfermagem, com inserção nos GTs da ABEn desde a última gestão até a atual. Integra, a Câmara Técnica da Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relação de Trabalho - CIRHRT, no Eixo Formação Técnica de Nível Médio (desde 2024), como representante da ABEn. É membro associado da ANFOPE - SP e da ANPED.

Sandra Manoela de Almeida Santos, EERP/USP

Possui graduação em Enfermagem pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1999) e Licenciatura pelo Centro Estadual de Tecnológica Paula Souza (2008). Também possui graduação em Pedagogia pelo SEAD (Serviços Educacionais Ltda) em parceria com a Faculdade de Ciências Wenceslau Braz (2015). É especialista em Enfermagem Obstétrica pelo Centro Universitário Hermínio Ometo - UNIARARAS (2009); Ensino e Aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos pelo Centro Estadual de Tecnológica Paula Souza (2016) e Psicopedagogia com Contexto Inclusivo, pelo SEAD (Serviços Educacionais Ltda) em parceria com a Faculdade do Litoral Paraense - ISEPE Guaratuba (2017). Mestra em Ciências pela Faculdade de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo - USP (2023) e professora do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza - Etec Prof. Dr. José Dagnoni desde 2002.

Referências

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CEB n. 16/99, de 05 de outubro de 1999. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Nível Médio Técnico. Brasília: MEC, 1999.

Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CEB nº 11/2012, de 09 de maio de 2012. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Nível Médio Técnico. Brasília: MEC, 2012.

Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução nº 6, 20 de setembro de 2012. Define diretrizes curriculares nacionais para a educação profissional técnica de nível médio. Brasília, DF, 2012.

Resolução nº 510, de 07 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em ciências Humanas e Sociais. Diário Oficial da república Federativa do Brasil, Brasília, DF, 24 maio 2016.

Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº1, de 5 de janeiro de 2021. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Profissional e Tecnológica. Brasília, 2021.

Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Anuário Estatístico da Educação Tecnológica - dados até 2019. Brasília, 2021.

CIAVATTA, M.; RAMOS, M. A “era das diretrizes”: a disputa pelo projeto de educação dos mais pobres. Revista Brasileira de Educação, v.17, n49, p. 11-37, 2012. Disponível em: file:///C:/Users/Audit%C3%B3rio/Downloads/texrto%20ciavata%20ramos%202012.pdf. Acesso em: 1 jun. 2023.

CORRÊA, A. K.; CLAPIS, M. J.; MORAES, S. H. M. Perfis profissionais de planos de cursos técnicos em saúde: mercado, SUS e formação humana. Trabalho, Educação e Saúde, v. 20, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1981-7746-ojs237. Acesso em: 21 mar. 2023.

CONTERNO, S.F.R.; LOPES, R.E. Pressupostos pedagógicos das atuais propostas de formação superior em saúde no Brasil: origens históricas e fundamentos teóricos. Avaliação, v. 21, n. 3, nov. 2016, p. 993-1016, Campinas; Sorocaba, SP, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/aval/a/fBShnJmqVD5x7jdyzjvsTTx/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 jan. 2023.

DUARTE, N. O debate contemporâneo das teorias pedagógicas. In: MARTINS, L.M.; DUARTE, N. (Orgs.). Formação de professores: limites contemporâneos e alternativas necessárias [online]. São Paulo: Editora Unesp; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.

PRONKO, M. (Org.). A formação de trabalhadores técnicos em saúde no Brasil e no Mercosul. Rio de Janeiro: Fiocruz/EPSJV, 2011.

LUDKE, M.; ANDRÉ, M.E.D.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. 2ed. São Paulo: EPU, 2013.

RAMOS, M. N. A educação profissional pela pedagogia das competências e a superfície dos documentos oficiais. Educação e Sociedade, v.23, n. 80, p. 401-422, 2002. Disponível em: file:///C:/Users/Usu%C3%Alrio/Downloads/A_educacao_profissional_pela_Pedagogia_das_Compete.pdf. Acesso em: 21 mar. 2023.

M. N. A pedagogia das competências: autonomia ou adaptação? São Paulo: Cortez, 2001a. M. N. A pedagogia das competências e a psicologização das questões sociais. Boletim Técnico do Senac, v. 27, n. 3, p. 26-35, 2001b. Disponível em: https://www.bts.senac.br/bts/article/view/573. Acesso em: 13 jan. 2019.

Concepções e práticas pedagógicas nas escolas técnicas do Sistema Único de Saúde: fundamentos e contradições. Trabalho, Educação e Saúde, v. 7, supl. 1, p. 153-173, 2009. Disponível em: pid=S198177462009000400008&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 22 mar. 2020.

O currículo na perspectiva de classe: desafios e possibilidades para a educação profissional. Educere Et Educare, v. 2, n. 23, p. 1-12, 2016. Disponível em: file:///C:/Users/Audit%C3%B3rio/Downloads/TEXTO%20RAMOS%202016%20REVISTA.pdf. Acesso em: 21 mar. 2023.

SAVIANI, D. A pedagogia Histórico-crítica. Revista Binacional Brasil Argentina. Vitória da Conquista, v. 3, n. 2, dez. 2014, p.11.36.

D. Educação escolar, currículo e sociedade: o problema da Base Nacional Comum Curricular. Revista Educação, v.3, n. 4, p. 54-84, 2016. Disponível em: https://periodicos.uff.br/revistamovimento/article/view/32575/18710. Acesso em: 5 nov. 2019.

D. Escola e democracia. 41. ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2008a.

D. História das ideias pedagógicas no Brasil. 2.ed. São Paulo: Autores Associados, 2008b.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho Científico. 24.ed. São Paulo: Cortez, 2018.SOUZA, J. C. M.; ALVES, M.

F. Atualização das diretrizes curriculares para educação profissional técnica de nível médio: tensões entre público e privado. In: MACHADO, M. M.; RODRIGUES, M. E. C. Educação dos trabalhadores: políticas e projetos em disputas. Campinas: Mercado de Letras, 2011. p. 299-326.

Downloads

Publicado

24-08-2026

Como Citar

Corrêa, A. K., & Santos, S. M. de A. (2026). Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Enfermagem: em foco as metodologias de ensino. Revista Sustinere, 14(1), 478–498. https://doi.org/10.12957/sustinere.2026.89380