Os Impactos do isolamento social na adolescência: um comparativo entre alunos de escola pública e privada

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/sustinere.2025.79222

Palavras-chave:

Infecções por Coronavírus, Isolamento Social, Saúde do Adolescente, Educação a Distância

Resumo

Resumo: Tem o objetivo de compreender e comparar a vivência de escolares adolescentes de escolas públicas e privadas durante a pandemia da COVID-19. Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório. Foi utilizado o banco de dados coletado em 2021 pelos bolsistas do NIEVS, núcleo em que a pesquisa está inclusa, em quatro escolas do município de Feira de Santana- Bahia, duas da rede pública e duas da rede privada. Foram entrevistados 16 adolescentes de 12 a 17 anos. Para a análise dos dados foi utilizada a técnica de Análise do Conteúdo proposta por Bardin e o software Iramuteq. Adolescentes de ambas as redes de ensino sofreram prejuízos no aprendizado com o ensino remoto; adotaram como principal atividade de lazer os meios digitais; sofreram impactos sobre a saúde mental, apresentaram sentimentos de medo, ansiedade e outros; e receberam a notícia do retorno das aulas ao presencial alguns com alegria e outros com insegurança. Notou-se algumas diferenças entre os adolescentes das duas redes, os estudantes de escola pública enfrentaram maiores dificuldades com a estrutura física para estudar em casa; passaram mais tempo sem retornar às aulas; ficavam mais tempo sós e cuidando de irmãos mais novos; apresentaram comportamento antissocial; e ainda mostraram-se mais inseguros com o retorno ao presencial. Diante disso, conclui-se que o isolamento social prejudicou os adolescentes de forma geral; no entanto, essas consequências foram maiores para os estudantes de escola pública.

Biografia do Autor

Marilene Alves Carneiro, Universidade Estadual de Feira de Santana

Participou do 11 Programa de Iniciação Científica da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. Concluiu o Ensino Médio em 2016 pelo Colégio Estadual Pedro Falconeri Rios. Graduanda em Enfermagem pela Universidade Estadual de Feira de Santana-UEFS. É integrante do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre Vulnerabilidade e Saúde - NIEVS (UEFS) como bolsista de iniciação científica. E é monitora voluntária do componente curricular Bases Teóricas e Metodológicas para o Cuidar em enfermagem -SAU227.

Raquel Vieira Farias, Hospital Estadual da Criança (HEC)

Graduada em Enfermagem pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2022). Pós-graduanda em Enfermagem em UTI Neonatal e Pediátrica pela Faculdade Atualiza (2023 - 2024). Atualmente, enfermeira assistencial do Hospital Estadual da Criança. Atuou como bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq (2021-2022), bolsista de extensão universitária (2020-2021) e bolsista de Iniciação Científica pela FAPESB (2019-2020). Possui Experiência na área de Enfermagem, com ênfase em Saúde da Criança e do Adolescente. 

Marília Lima Alves, Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

Curso de Bacharel em Enfermagem na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) em andamento. Atuou como Bolsista de Iniciação Científica (2021-2022) vinculado ao NIEVS, Bolsista no Programa Educação para o Trabalho em Saúde/ PET-Saúde: Gestão e Assistência (2022-2023). Atualmente Bolsista de Iniciação Científica (2023-2024) vinculado ao NIEVS.Integrante do Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Vunerabilidade em Saúde (NIEVS/UEFS)

Aisiane Cedraz Morais, Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

Possui graduação em Enfermagem pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2001), DOUTORADO EM ENFERMAGEM pela ESCOLA DE ENFERMAGEM/ UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA (2013), Mestrado em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia (2008). Especialista em Enfermagem Neonatólogica (UFBA), Saúde da Família (UEFS) e Especialização em Capacitação Pedagógica em Educação Profissional em Saúde (UFBA/FIOCRUZ). PROFESSORA TITULAR da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Departamento de Saúde, Docente de disciplinas de Graduação em Enfermagem, Residência Multiprofissional (UEFS) e Mestrado Profissional em Enfermagem. Pesquisadora do NIEVS (UEFS) e Grupo Crescer (EE/UFBA). Tem experiência na área de Enfermagem, atuando principalmente com os seguintes temas: adolescente, criança, recém-nascido, cuidado e Saúde da População Negra. Pesquisas com ênfase na vulnerabilidades de grupos populacionais especificos e estudos transculturais. 

Juliana de Oliveira Freitas Miranda, Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

Doutorado em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (2017), Mestrado em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (2005), Especialização em Enfermagem Neonatal pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (2002),Título de Especialista em Enfermagem Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras (2014) e Graduação em Enfermagem pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2000). Professora Titular do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) na Área de Saúde da Criança e Professora do Mestrado Profissional em Enfermagem da UEFS. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa da Sala de Situação e Análise Epidemiológica e Estatística - SSAEE/UEFS e do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas e Estudos em Saúde - NIPES/UEFS. Membro da Comissão Permanente de Educação e Pesquisa da Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras (SOBEP) nas gestões 2019 - 2021 e 2022- 2024. Tem experiência na área da Enfermagem Pediátrica e Neonatal. Menção honrosa por Tese de Doutorado no Prêmio de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o Sistema Único de Saúde do Brasil em 2017. 

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Publicado

16-07-2025

Como Citar

Carneiro, M. A., Vieira Farias, R., Alves, M. L., Morais, A. C., & Miranda, J. de O. F. (2025). Os Impactos do isolamento social na adolescência: um comparativo entre alunos de escola pública e privada. Revista Sustinere, 13(1), 284 – 303. https://doi.org/10.12957/sustinere.2025.79222