Repercussões da Política Nacional de Atenção Básica de 2017 na cobertura de Agentes Comunitários de Saúde no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.12957/sustinere.2025.78628Parole chiave:
Agentes Comunitários de Saúde, Atenção Básica, Cobertura de Serviços de Saúde, Política de SaúdeAbstract
Objetivou-se analisar a cobertura de agentes comunitários de saúde no estado do Ceará, no Nordeste e no Brasil relacionando-a com a Política Nacional de Atenção Básica publicada em 2017. Trata-se de um estudo transversal, quantitativo, realizado em 2021 a partir de dados secundários, apresentados em gráficos e quadros. Para a análise dos dados, realizou-se a análise descritiva. No Brasil, percebe-se um aumento entre 2010 e 2015, sendo que a partir de 2016 ocorreu um declínio na cobertura desses profissionais, que se estendeu de forma contínua até o ano de 2019. Em relação a região Nordeste, pode-se observar um movimento ascendente no que concerne a cobertura desses agentes até 2014, após esse período constatou-se oscilações desse quantitativo, porém, considerando-se o período entre 2014 e 2019, há um decréscimo importante dessa cobertura. Em se tratando do estado do Ceará, também ocorreu uma redução de cobertura, porém com destaque para o período entre 2017 e 2019. A redução das coberturas ocorre de forma heterogênea nas regiões do Brasil com diminuição mais significativa nas regiões Sul e Sudeste. Conclui-se que houve redução na cobertura de agentes comunitários de saúde entre 2010 e 2019, com variações entre as regiões do país. Embora o estudo não permita afirmar relação causal com a Política Nacional de Atenção Básica de 2017, os achados indicam coincidências temporais que merecem investigação. Os dados podem subsidiar estratégias para o fortalecimento da atenção básica, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social.
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