Rap e guerras culturais na escola:
juventudes, platôs e rizomas
DOI:
https://doi.org/10.12957/riae.2026.97823Resumo
O artigo cartografa as perspectivas de estudantes do ensino médio sobre o cenário político brasileiro e as chamadas guerras culturais, analisando as afetações da prática do rap no espaço escolar. O objetivo central é investigar como o rap, enquanto procedimento rítmico e poético, pode atuar como ferramenta pedagógica para a compreensão do campo político e das polarizações sociais entre conservadores e progressistas. Fundamentado no referencial teórico de Gilles Deleuze e Félix Guattari, o trabalho adota uma estrutura não linear composta por platôs de intensidade, opondo o pensamento hierárquico (arbóreo) à multiplicidade descentralizada (rizomática). Metodologicamente, a pesquisa descreve experiências empíricas em uma escola estadual de Vitória (ES), incluindo dinâmicas de debate, o uso de rimas de improviso (freestyle) e a realização do projeto interdisciplinar "Multiversidades", que abordou temas como violência contra a mulher, descriminalização de drogas e aborto. Os resultados indicam que, embora o ambiente escolar sofra pressões da polarização afetiva e ideológica, os jovens demonstram uma capacidade de convivência democrática e tolerância que desafia estereótipos binários. Conclui-se que o rap funciona como uma "rizomáquina", promovendo o protagonismo juvenil, a expressão de subjetividades múltiplas e a desconstrução de binarismos políticos, transformando tanto o processo de ensino-aprendizagem quanto a própria prática docente.
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