Rap e guerras culturais na escola:

juventudes, platôs e rizomas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/riae.2026.97823

Resumo

O artigo cartografa as perspectivas de estudantes do ensino médio sobre o cenário político brasileiro e as chamadas guerras culturais, analisando as afetações da prática do rap no espaço escolar. O objetivo central é investigar como o rap, enquanto procedimento rítmico e poético, pode atuar como ferramenta pedagógica para a compreensão do campo político e das polarizações sociais entre conservadores e progressistas. Fundamentado no referencial teórico de Gilles Deleuze e Félix Guattari, o trabalho adota uma estrutura não linear composta por platôs de intensidade, opondo o pensamento hierárquico (arbóreo) à multiplicidade descentralizada (rizomática). Metodologicamente, a pesquisa descreve experiências empíricas em uma escola estadual de Vitória (ES), incluindo dinâmicas de debate, o uso de rimas de improviso (freestyle) e a realização do projeto interdisciplinar "Multiversidades", que abordou temas como violência contra a mulher, descriminalização de drogas e aborto. Os resultados indicam que, embora o ambiente escolar sofra pressões da polarização afetiva e ideológica, os jovens demonstram uma capacidade de convivência democrática e tolerância que desafia estereótipos binários. Conclui-se que o rap funciona como uma "rizomáquina", promovendo o protagonismo juvenil, a expressão de subjetividades múltiplas e a desconstrução de binarismos políticos, transformando tanto o processo de ensino-aprendizagem quanto a própria prática docente.

Biografia do Autor

André Luiz Angelo Martins, Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo (SEDU-ES)

Profissional da educação, professor de geografia, premiado diversas vezes por idealizar e realizar projetos e trabalhos criativos no âmbito sociocultural e pedagógico. É mestre em Ensino de Humanidades pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Humanidades (PPGEH/Ifes) e referência de boas práticas educacionais envolvendo os elementos da cultura hip-hop com o uso do rap.

Davis Alvim, Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)

Professor de História do ensino médio no Instituto Federal do Espírito Santo (campus Vitória) e Professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Humanidades (PPGEH/Ifes). Possui doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2011) e realizou estágio pós-doutoral em Psicologia Institucional na Universidade Federal do Espírito Santo (2017). Coordena o projeto de pesquisa Práticas educativas e Polarização Política (PEPP). É autor dos livros "Ano 1 no Brasil: como cartografar resistências?" e "Quatro clássicos para resistir: Nietzche, Kafka, Foucault e Deleuze", esse último em coautoria com Izabel Rizzi Mação.

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Publicado

21-08-2026

Como Citar

LUIZ ANGELO MARTINS, André; ALVIM, Davis. Rap e guerras culturais na escola:: juventudes, platôs e rizomas. Revista Interinstitucional Artes de Educar, [S. l.], v. 12, n. 1, p. 330–353, 2026. DOI: 10.12957/riae.2026.97823. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/riae/article/view/97823. Acesso em: 24 ago. 2026.