Juventude, direito à educação e masculinidade: a ocupação de escola do Colégio Mendes de Moares
DOI:
https://doi.org/10.12957/riae.2026.97762Resumo
O estudo analisa empíricamente o movimento de ocupações escolares no do Colégio Estadual Mendes de Moraes, no Rio de Janeiro em 2016. Tal pesquisa objetiva compreender tanto as lutas por direitos educacionais quanto os processos de subjetivação, incluindo conflitos físicos, políticos e construções de masculinidade do grupo “ Desocupa”, contrário ao movimento das ocupações. O “Ocupa Mendes” tornou-se no naquela momento, uma ocupação vanguardista por sua combatividade na defesa revindicações estudantis mediante as 80 escolas ocupadas na cidade do Rio de Janeiro. As principais reivindicações pelo direito à educação incluíam melhorias na infraestrutura, reformulação curricular, valorização docente e gestão democrática. Além disso, a investigação evidenciou que o movimento foi marcado por práticas autogestionárias, redes de solidariedade e uso estratégico das redes sociais para mobilização. No segundo momento da pesquisa, analisou-se as dissidências deste movimento perante a ação truculenta do movimento “ Desocupa” nos ataques físicos do grupo ao “ Ocupa Mendes” e as subjetivações de uma masculinidade hegemônica constituída neste grupo. Estes indivíduos pertencentes ao “ Desocupa” incorporaram neste processo de confllito, comportamentos de autoridade, virilidade e controle provenientes da estrutura do patriarcado, contrariando a lógica de luta pelo direito à educação através da organização coletivo. Em suma, ainda que o “ Ocupa Mendes” tenha finalizado sua atuação política perante os constantes ataques violentos do “ Desocupa”, este movimento se configurou numa das referências estudantis secundaristas brasileiras da época.
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