Entre a astúcia e a justiça improvisada: Hermes, Robin Hood e a distorção da virtude como ideal ético
DOI:
https://doi.org/10.12957/principia.2025.92791Parole chiave:
Virtude, Hermes, Robin Hood, Ética aristotélica, Justiça, AstúciaAbstract
Este artigo propõe uma análise comparativa entre dois personagens amplamente celebrados por sua astúcia e aparente senso de justiça: Hermes, da mitologia grega, e Robin Hood, da tradição anglo-saxã. Ambos figuram no imaginário coletivo como heróis simpáticos que transgridem normas – o primeiro, por meio do furto criativo e da persuasão; o segundo, ao assumir para si a justiça social, subvertendo o papel institucional do Estado. A partir da filosofia moral, especialmente da ética das virtudes aristotélica, argumenta-se que tais personagens operam dentro de uma lógica de eficácia travestida de virtude: Hermes é exaltado por sua inteligência desvinculada de prudência e justiça; Robin Hood é romantizado por realizar, sob o disfarce da compaixão, um justiçamento moral. Em ambos os casos, a transgressão é convertida em valor, e a consequência ética disso é uma distorção simbólica da própria ideia de virtude. O trabalho recorre ainda a autores como Alasdair MacIntyre e Martha Nussbaum, articulando a crítica filosófica à leitura mitopoética e narrativa. Conclui-se que o fascínio cultural por esses personagens pode ocultar riscos éticos, ao reforçar uma lógica onde o bem é confundido com esperteza, e a justiça, com revanche.
Riferimenti bibliografici
ARENDT, Hannah. A condição humana. Tradução de Roberto Raposo. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.
ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. Tradução de Mauro W. Barbosa de Almeida. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 1994.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Antônio de Castro Caeiro. São Paulo: Martin Claret, 2009.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade e ambivalência. Tradução de Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Zahar, 1999. (Trabalho original publicado em 1991).
FREUD, Sigmund. O ego e o id. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. (Trabalho original publicado em 1923.)
GIRARD, René. O bode expiatório. Tradução de Álvaro Cabral. São Paulo: Paz e Terra, 2004.
HINO HOMÉRICO A HERMES. Tradução, introdução e notas de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 1993
KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Tradução de Paulo Quintela. São Paulo: Martin Claret, 2003.
KNIGHT, Stephen. Robin Hood: uma biografia mítica. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
LACAN, Jacques. O seminário, livro 7: A ética da psicanálise (1959–1960). Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
MACINTYRE, Alasdair. Após a virtude: um estudo da teoria moral. Tradução de Luiz João Baraúna. 3. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.
MURDOCH, Iris. A soberania do bem. Tradução de Denise Bottmann. Campinas: Editora da Unicamp, 1997.
NEIMAN, Susan. O mal no pensamento moderno: uma história alternativa da filosofia. Tradução de Vera Ribeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
NUSSBAUM, Martha C. Justiça poética: a imaginação literária e a vida pública. Tradução de Márcia Xavier de Brito. São Paulo: Martins Fontes, 2013.
RAWLS, John. Uma teoria da justiça. Tradução de Almiro Pisetta e Lenita M. R. Esteves. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
RICOEUR, Paul. Soi-même comme un autre. Paris: Éditions du Seuil, 1990.
RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa: tomo I. Tradução de Maria Ermantina Galvão. Campinas: Papirus, 1994.
SEN, Amartya. A ideia de justiça. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
TAYLOR, Charles. A ética da autenticidade. Tradução de Isa Tavares. São Paulo: É Realizações, 2004.
WEIL, Simone. A pessoa e o sagrado. Tradução de Anna Maria Corrêa. São Paulo: É Realizações, 2002.
ŽIŽEK, Slavoj. Vivendo no fim dos tempos. Tradução de Maria Beatriz de Medina. São Paulo: Boitempo, 2011.
Downloads
Pubblicato
Come citare
Fascicolo
Sezione
Licenza
Copyright (c) 2025 Lara Passini Vaz-Tostes

Questo lavoro è fornito con la licenza Creative Commons Attribuzione - Non commerciale 4.0 Internazionale.
AUTORIZAÇÃO
A Principia está autorizada a publicar o artigo ora submetido, caso seja aceito para publicação online. Fica atestado que a contribuição é original, que não está sendo submetida a outro editor para publicação, e que a presente declaração é a expressão da verdade.
Nosso periódico utiliza a licença do Creative Commons (CC) CC Attribution 4.0, preservando dessa forma, a integridade dos textos em ambiente de acesso aberto. Assim, autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1- Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sendo esta licenciada sob a Creative Commons Attribution License 4.0 Internacional.
2- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e compartilhar o trabalho com reconhecimento da publicação inicial nesta revista.
3- Autores dos trabalhos aprovados autorizam a revista a ceder o conteúdo de seus trabalhos, após sua publicação, para reprodução em indexadores de conteúdo, bibliotecas virtuais e similares.
Para mais informações sobre a Creative Commons Attribution 4.0 International License, acessar: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

A Principia utiliza uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.





