Tecendo a memória de uma infância negra: representações, identidade e resistência em Diário de Bitita
DOI:
https://doi.org/10.12957/palimpsesto.2026.96513Palavras-chave:
escrevivência, memória, pós-abolição, infância negra, oralidade.Resumo
Este artigo analisa o Diário de Bitita, de Carolina Maria de Jesus, como uma escrita de memória atravessada por crítica social. A pesquisa, de caráter qualitativo e bibliográfico, baseia-se na leitura do diário em diálogo com estudos sobre escrevivência, interseccionalidade e oralidade. A análise interpretativa relaciona a narrativa aos contextos histórico-sociais do Brasil pós-abolição. Identificam-se três dimensões centrais na obra: a contranarrativa histórica da infância negra, tensionando o mito da democracia racial; a construção estética que legitima a oralidade e o popular como forma literária; e a escrita de agência interseccional, a partir do lugar de fala de Bitita. Conclui-se que a obra constitui um arquivo fundamental da memória social brasileira e da escrita produzida nas margens.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.
BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
BERNARDINO-COSTA, Joaze; MALDONADO-TORRES, Nelson; GROSFOGUEL, Ramón (Org.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. 1. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2018.
BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
CARNEIRO, Sueli. Escritos de uma vida. São Paulo: Pólen, 2019.
CUTI, Luiz Silva. Literatura negro-brasileira. São Paulo: Selo Negro, 2010.
DUARTE, Eduardo de Assis. (Org.). Literatura, política, cultura: memórias do racismo. Belo Horizonte: Nandyala, 2020.
DUARTE, Eduardo de Assis. Escrevivência, Quilombismo e a tradição da escrita afrodiaspórica. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (Org.). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020. p. 75-94.
EVARISTO, Conceição. A Escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (Org.). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020. p. 27-46.
EVARISTO, Conceição. Da grafia-desenho de minha mãe, um dos lugares de nascimento de minha escrita. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (Org.). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020. p. 49-54.
FARIAS, Tom. Carolina: uma biografia. São Paulo: Malê, 2018.
FONSECA, Maria Nazareth Soares. Carolina Maria de Jesus: literatura e resistência (Coleção Consciência em Debate). São Paulo: Selo Negro, 2016.
JESUS, Carolina Maria de. Diário de Bitita. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
LEJEUNE, Philippe. O pacto autobiográfico: de Rousseau à internet. Tradução de Jovita M. G. Noronha e Maria Inês C. G. G. Sampaio. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014.
MACHADO, Serafina Ferreira. Literatura afro-feminina: uma escrita de cobrança. Revista Graphos, João Pessoa, v. 14, n. 2, p. 136-144, 2012.
MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Código de Carolina: vida e obra de Carolina Maria de Jesus. São Paulo: EdUSP, 1997.
PEREIRA, Eliana Ferreira. A escrita de Carolina Maria de Jesus: atravessamentos e invenções. São Paulo: Editora da Unifesp, 2019.
RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. O local da diferença: ensaios sobre memória, arte, literatura e tradução. São Paulo: Editora 34, 2017.
SILVA, Cidinha da. Um Exu em Nova York. 1.ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2018.
SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1983.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
A revista Palimpsesto publica artigos e resenhas inéditos, referentes as áreas de Letras e Linguística. Publica volumes mistos e/ou temáticos, com artigos e resenhas em português, inglês, espanhol e francês.
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.

Palimpsesto utiliza uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.




