Tecendo a memória de uma infância negra: representações, identidade e resistência em Diário de Bitita
DOI:
https://doi.org/10.12957/palimpsesto.2026.96513Keywords:
escrevivência, memória, pós-abolição, infância negra, oralidade.Abstract
Este artigo analisa o Diário de Bitita, de Carolina Maria de Jesus, como uma escrita de memória atravessada por crítica social. A pesquisa, de caráter qualitativo e bibliográfico, baseia-se na leitura do diário em diálogo com estudos sobre escrevivência, interseccionalidade e oralidade. A análise interpretativa relaciona a narrativa aos contextos histórico-sociais do Brasil pós-abolição. Identificam-se três dimensões centrais na obra: a contranarrativa histórica da infância negra, tensionando o mito da democracia racial; a construção estética que legitima a oralidade e o popular como forma literária; e a escrita de agência interseccional, a partir do lugar de fala de Bitita. Conclui-se que a obra constitui um arquivo fundamental da memória social brasileira e da escrita produzida nas margens.
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