“But Alice, I’m still so glad we were born”: uma busca pela beleza do minimalismo na ficção de Sally Rooney
DOI:
https://doi.org/10.12957/matraga.2026.97653Palavras-chave:
Vulnerabilidade, ética, solastalgia, Sally Rooney, romance contemporâneoResumo
Este trabalho analisa Belo mundo, onde você está (2021) a partir da articulação entre o Antropoceno, o neoliberalismo e a ética do romance contemporâneo. Partindo da contestação de que o romance contemporâneo não responde ao colapso ecológico e social (Savi; Fernandes, 2025), argumenta-se que a obra de Rooney elabora uma ética situada fundada na promoção do desejo empático e no reconhecimento da vulnerabilidade como condição constitutiva da vida comum. Em diálogo com Butler (2004), Albrecht (2005), Bourdieu (1992; 2009; 2013) e Rich (1978; 1995), o artigo propõe uma leitura político-linguística da solastalgia. Este trabalho analisa o silêncio e o minimalismo narrativo de Rooney como reflexo do panorama político contemporâneo e como gesto formal de resistência. Ao recusar a espetacularização da catástrofe, o romance reinscreve a intimidade como prática ética ambivalente. Defende-se, por fim, que a beleza literária evocada pela obra emerge não da promessa de superação do Antropoceno, mas de sua percepção decolonial por meio da insistência em formas relacionais nas quais o afeto, a individualidade e a privacidade sustentam a ética do cuidado.
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