À sombra do corte
Trajetórias e experiências de mulheres migrantes boias-frias no Nordeste paulista (segunda metade do século XX)
DOI:
https://doi.org/10.12957/revmar.2026.96058Palavras-chave:
Trabalhadoras Rurais, Experiências, Memórias, LutasResumo
Com base em entrevistas e diálogos com a literatura especializada, este artigo investiga a trajetória de ex-trabalhadoras rurais migrantes que viveram como boias-frias no nordeste paulista ao longo da segunda metade do século XX. O eixo interpretativo centra-se na análise de como essas mulheres vivenciaram a modernização desigual do campo, processo marcado pela expansão dos canaviais, pela intensificação das formas de exploração do trabalho e pela reconfiguração da divisão sexual do trabalho rural. Os achados evidenciam os mecanismos sociais, econômicos e simbólicos que conduziram ao progressivo alijamento feminino da colheita da cana, frequentemente justificado pelo discurso da menor produtividade em relação aos trabalhadores homens. Ao reconstruir memórias de trabalho e migração frequentemente silenciadas, o artigo contribui para a compreensão das experiências femininas no meio rural e ressalta a centralidade das mulheres na conformação histórica do trabalho agrícola, reafirmando a importância de reinscrever essas trajetórias na narrativa mais ampla do agronegócio e da modernização agrícola paulista.
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