Femmes noires et la production de la vie
les limites historiques de ce qui compte comme travail
DOI :
https://doi.org/10.12957/revmar.2026.96539Mots-clés :
Travail, Femmes noires, Colonialité, Histoire du travail au Brésil, CandombléRésumé
Cet article analyse de manière critique la production historique de ce qui est reconnu comme travail au Brésil, en prenant comme axes analytiques les catégories de colonialité, de race et de genre. Fondée sur les autrices et auteurs de la pensée décoloniale, de l’histoire sociale du travail et des études critiques du travail, l’analyse démontre comment la centralité du travail salarié s’est historiquement constituée comme un dispositif colonial qui invisibilise les rationalités noires et féminines de production et de soutenance de la vie. À partir d’une recherche qualitative ancrée dans l’histoire orale, menée auprès de Yalorixás de terreiros de Candomblé dans le District fédéral, le terreiro apparaît comme un système historique d’organisation de la vie communautaire, dont la formation est liée aux processus d’exclusion raciale du monde du travail dans le Brésil post-abolition. Le devenir Yalorixá est compris comme un processus ontologique, politique et communautaire qui réinscrit le travail dans le champ de l’existence, et non dans celui de la marchandise. Il est conclu que le savoir-faire des Yalorixás défie la grammaire colonial-capitaliste du travail et met en évidence la nécessité d’une reconfiguration critique des catégories analytiques de l’histoire sociale du travail au Brésil.
Téléchargements
Références
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. The danger of a single story. TED, jul. 2009. Disponível em: https://www.ted.com/talks/chimamanda_ngozi_adichie_the_danger_of_a_single_story. Acesso em: 22 dez. 2025.
ALVES, Maria Rosa Almeida; SILVA, Kleyton Gualter de Oliveira. A transmissão oral nos terreiros de Candomblé: memória e história do povo descendente de africanos em Juazeiro-BA. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DA DIVERSIDADE DO SEMIÁRIDO, 1., 2016, Campina Grande. Anais […]. Campina Grande: Realize Editora, 2016. Disponível em: https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/23407. Acesso em: 15 ago. 2026.
ANDRADE JUNIOR, Lourival. Exus, Pomba-giras e pretos velhos: o cemitério como espaço sagrado de pertencimento. Diálogos, Maringá, v. 25, n. 3, p. 8–37, 2021. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/Dialogos/article/view/60531. Acesso em: 15 ago. 2026.
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
BOXER, Charles Ralph. A idade de ouro do Brasil: dores de crescimento de uma sociedade colonial. Tradução de Nair de Lacerda. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1963.
BRAGA, Júlio Santana. Prática divinatória e exercício do poder: o jogo de búzios nos candomblés da Bahia. Afro-Ásia, Salvador, n. 13, 1980. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/20810. Acesso em: 15 ago. 2026.
BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 715, de 20 de julho de 2023. Diário Oficial da União, Brasília, 20 jul. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/atos-normativos/resolucoes/2023/resolucao-no-715.pdf. Acesso em: 15 dez. 2025
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Brasília: MTE, 2024. Disponível em: http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorCodigo.jsf. Acesso em: 21 dez. 2025.
BRAUN, Virginia; CLARKE, Victoria. Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, v. 3, n. 2, p. 77–101, 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1191/1478088706qp063oa. Acesso em: 15 ago. 2026.
BRAUN, Virginia; CLARKE, Victoria. Thematic analysis: a practical guide. London: SAGE Publications, 2021.
CACCIATORE, Olga Gudolle. Dicionário de cultos afro-brasileiros: com a indicação da origem das palavras. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1988.
CARDOSO, Vânia Zikán. Caboclos e Orixás no terreiro: modos de conexão e possibilidades de simbiose. Religião & Sociedade, Rio de Janeiro, v. 38, n. 1, p. 84–109, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0100-85872018v38n1cap04. Acesso em: 15 ago. 2026.
CARNEIRO, Maria Elizabeth Ribeiro. Uma cartografia das amas-de-leite na sociedade carioca oitocentista. T.E.X.T.O.S DE H.I.S.T.Ó.R.I.A. Revista do Programa de Pós-Graduação em História da UnB, v. 15, n. 1/2, p. 121–142, 2009. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/textos/article/view/27987. Acesso em: 15 ago. 2026.
CISNE, Mirla; IANAEL, Fernanda. Vozes de resistência no Brasil colonial: o protagonismo de mulheres negras. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 25, n. 2, p. 191–201, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1982-0259.2022.e84661. Acesso em: 15 ago. 2026.
DEJOURS, Christophe. Subjetividade, trabalho e ação. Produção, São Paulo, v. 14, n. 3, p. 27–34, 2004. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-65132004000300004. Acesso em: 15 ago. 2026.
DEJOURS, Christophe. Trabalho e emancipação. São Paulo: Paralelo 15, 2012.
EVANGELISTA, Daniele Ferreira. Fundando um axé: reflexões sobre o processo de construção de um terreiro de candomblé. Religião & Sociedade, Rio de Janeiro, v. 35, n. 1, p. 63–85, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0100-85872015v35n1cap03. Acesso em: 15 ago. 2026.
FREITAS, Lêda Gonçalves de. Centralidade do trabalho. In: VIEIRA, Fernando de Oliveira; MENDES, Ana Magnólia; MERLO, Álvaro Roberto Crespo (Orgs.). Dicionário crítico de gestão e psicodinâmica do trabalho. Curitiba: Juruá, 2013. p. 77–82.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Ciências Sociais Hoje, Rio de Janeiro, v. 1, p. 223–244, 1984. Disponível em: https://bibliotecadigital.mdh.gov.br/jspui/bitstream/192/10316/1/06_GONZALES__L%C3%A9lia_Racismo_e_Sexismo_na_Cultura_Brasileira_1.pdf. Acesso em: 28 dez. 2025.
GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, v. 92/93, p. 69-82, jan./jun. 1988.
hooks, bell. Tudo sobre o amor: novas perspectivas. Tradução de Stephanie Borges; prefácio de Silvane Silva. São Paulo: Elefante, 2021.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
LARA, Silvia Hunold. Escravidão, cidadania e história do trabalho no Brasil. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, São Paulo, v. 16, p. 25–38, 1998. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/11185. Acesso em: 15 ago. 2026.
LINDEN, Marcel van der. História do Trabalho: o velho, o novo e o global. Revista Mundos do Trabalho, Florianópolis, v. 1, n. 1, p. 11–26, 2009. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho/article/view/1984-9222.2009v1n1p11. Acesso em: 15 ago. 2026.
LUKÁCS, György. Para uma ontologia do ser social. São Paulo: Boitempo, 2013.
MARINI, Ruy Mauro. Dialética da dependência. In: TRASPADINI, Roberta; STÉDILE, João Pedro (Orgs.). Ruy Mauro Marini: vida e obra. São Paulo: Expressão Popular, 2011.
MARTINS, Bárbara Canedo Ruiz. Reconstruindo a memória de um ofício: as amas-de-leite no mercado de trabalho urbano do Rio de Janeiro (1820–1880). Revista de História Comparada, v. 6, n. 2, p. 138–167, 2012. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/RevistaHistoriaComparada/article/view/326. Acesso em: 15 ago. 2026.
MOURA, Clóvis. Sociologia do negro brasileiro. São Paulo: Perspectiva, 2019.
MUNANGA, Kabengele. Negritude: usos e sentidos. 4. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
NOGUEIRA, Sidnei. Intolerância religiosa. São Paulo: Pólen, 2020.
OLIVEIRA, Kris Herik de; FAMA, Camila Montagner; OLIVAR, José Miguel Nieto. Cosmopolíticas do cuidado: entrevista com José Miguel Nieto Olivar. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 35, n. 2, p. e250299pt, 2026. Disponível em: https://revistas.usp.br/sausoc/article/view/250988. Acesso em: 15 ago. 2026.
OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. Matripotency: Ìyá in philosophical concepts and sociopolitical institutions. In: OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́ (Org.). What gender is motherhood? New York: Palgrave Macmillan, 2016. p. 57–92.
PARÉS, Luis Nicolau. A formação do Candomblé: história e ritual da nação jeje na Bahia. 3. ed. rev. e ampl. Campinas: Editora da Unicamp, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.7476/9788526814981. Acesso em: 15 ago. 2026.
PORTELLI, Alessandro. História oral como arte da escuta. Tradução de Ricardo Santhiago. São Paulo: Letra e Voz, 2016.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
RABELO, Miriam Cristina Marcilio. Enredos, feituras e modos de cuidado: dimensões da vida e da convivência no candomblé. Salvador: EDUFBA, 2014.
ROLNIK, Suely. Esferas da insurreição: notas para uma vida não cafetinada. São Paulo: n-1 edições, 2018.
SANTOS, Antônio Bispo dos. Colonização, quilombos, modos e significações. Brasília: INCTI/UnB, 2015.
SANTOS, Theotonio dos. Socialismo ou fascismo: o novo caráter da dependência e o dilema latino-americano. Florianópolis: Insular Livros, 2020.
SLAVE VOYAGES CONSORTIUM. Slave Voyages: the Trans-Atlantic Slave Trade Database. 2021. Disponível em: https://www.slavevoyages.org/. Acesso em: 15 ago. 2026.
SOARES, Cecília Moreira. As ganhadeiras: mulher e resistência negra em Salvador no século XIX. Afro-Ásia, Salvador, n. 17, p. 57–71, jan. 1996. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/20856. Acesso em: 14 dez. 2025.
SOUZA, Cristiane Luiza Sabino de. Racismo, conservadorismo e Serviço Social. Revista Libertas: estudos em Serviço Social e Ciências Sociais Aplicadas, Juiz de Fora, v. 20, n. 2, p. 373–391, jul./dez. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.34019/1980-8518.2020.v20.32044. Acesso em: 15 ago. 2026.
SOUZA, Neuza Santos. Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro. Rio de Janeiro: Graal, 1983.
Téléchargements
Publiée
Comment citer
Numéro
Rubrique
Licence
© Gracilene Paiva Araujo, Lêda Gonçalves de Freitas 2026

Ce travail est disponible sous la licence Creative Commons Attribution 4.0 International .
Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à Revista Maracanan o direito de publicação, sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, a qual permite que outros distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pela criação original.
Os dados e conceitos abordados são da exclusiva responsabilidade do autor.
A Revista Maracanan está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.


