“Não assino meu nome porque não quero me meter em bolo”
Ingredientes, interseções e fricções da classe trabalhadora – Salvador, BA (1957)
Mots-clés :
Trabalhadores, Marcadores Sociais de Diferença, Interseccionalidade, Fontes CriminaisRésumé
O artigo oferece a análise de um processo crime decorrente da queixa de um furto ocorrido na fábrica Boa Viagem, em Salvador (BA), e possui três objetivos principais: (1) examinar os componentes das culturas de classe dos trabalhadores (interações, tolerância e incômodos, gostos e hábitos); (2) demonstrar como suas identificações e rejeições mútuas se sustentam em múltiplos valores, que nem sempre se combinam harmonicamente; (3) analisar a influência de inúmeras segmentações de classe, gênero, cor, qualificação profissional etc., no cotidiano dos trabalhadores. O texto se inspira nos métodos micro-históricos e na historiografia trabalho para dialogar com o conceito de interseccionalidade. Com isso, se pretende demonstrar que as classes sociais se formam a partir de constantes interações verticais e horizontais, apresentando simultaneamente coesões e oposições também.
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