Quando o trabalho tem gênero

Mulheres, silêncio e invisibilidade na história latino-americana (séculos XIX–XX)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/revmar.2026.96495

Palavras-chave:

Trabalho, Gênero, Silêncio, História do trabalho, América Latina

Resumo

Este artigo analisa a história do trabalho na América Latina entre os séculos XIX e XX a partir da categoria de gênero, enfatizando os processos de invisibilização e silenciamento das práticas laborais femininas. Em diálogo com a história social do trabalho, os estudos de gênero e a antropossemiótica, argumenta-se que o trabalho é uma construção histórica e simbólica atravessada por regimes de reconhecimento que definem valor, memória e legitimidade. Ao examinar o silêncio como operador de apagamento e os limites do que foi considerado trabalho legítimo, demonstra-se que a exclusão das mulheres das narrativas tradicionais não decorre de sua ausência empírica, mas de processos estruturados por relações patriarcais, coloniais e racializadas que conformaram os mundos do trabalho latino-americanos. Essas dinâmicas articularam-se à colonialidade, à racialização e à divisão sexual do trabalho, produzindo formas específicas de invisibilização das experiências de mulheres negras, indígenas e mestiças. A perspectiva antropossemiótica evidencia que o silêncio atua como mecanismo de produção de sentidos e de exclusão simbólica, o que permite compreender a centralidade da memória e das disputas por reconhecimento na constituição das desigualdades de gênero no trabalho.

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Publicado

2026-08-31

Como Citar

BIZAN, Katia. Quando o trabalho tem gênero : Mulheres, silêncio e invisibilidade na história latino-americana (séculos XIX–XX). Revista Maracanan, Rio de Janeiro, Brasil, n. 42, p. 01–22, 2026. DOI: 10.12957/revmar.2026.96495. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/maracanan/article/view/96495. Acesso em: 31 ago. 2026.