Yalorixás e a produção da vida
Os limites históricos do que conta como trabalho
DOI:
https://doi.org/10.12957/revmar.2026.96539Palavras-chave:
Trabalho, Mulheres Negras, Colonialidade, História do Trabalho no Brasil, CandombléResumo
Este artigo analisa criticamente a produção histórica do que é reconhecido como trabalho no Brasil, tomando como eixo analítico as categorias de colonialidade, raça e gênero. Fundamentado em autoras e autores do pensamento decolonial e contracolonial, da história social do trabalho e dos estudos críticos do trabalho, o estudo demonstra como a centralidade do trabalho assalariado se constitui historicamente como dispositivo colonial que invisibiliza racionalidades negras e femininas de produção e manutenção da vida. A partir de uma pesquisa qualitativa ancorada na história oral, realizada com Yalorixás de terreiros de Candomblé no Distrito Federal, evidencia-se o terreiro como sistema histórico de organização da vida comunitária, cuja formação se vincula aos processos de exclusão racial do mundo do trabalho no pós-abolição brasileiro. O tornar-se Yalorixá é compreendido como processo ontológico e político que reinscreve o trabalho no campo da existência, e não da mercadoria. Conclui-se que o saber-fazer das Yalorixás desafia a gramática colonial-capitalista do trabalho e aponta para a necessidade de reconfiguração crítica das categorias analíticas da história social do trabalho no Brasil.
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