Corpo-território, trabalho e gênero

O corpo materno extensivo da casa durante a Ditadura

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/revmar.2026.95978

Palavras-chave:

Trabalho doméstico, violências de gênero, vulnerabilidades biopolíticas, corpo-território, Ditadura Civil-Militar

Resumo

Este artigo analisa a lógica da divisão sexual do trabalho feminino no estado da Paraíba, entre as décadas de 1960 e 1970, sob a perspectiva de gênero. O recorte temporal compreende o período de expansão da indústria farmacêutica no Brasil, no qual mulheres das classes populares — em particular, as migrantes do campo para a cidade — recorriam a métodos contraceptivos como meio de evitar gestação não planejada e viabilizar a inserção no mercado de trabalho. A pesquisa fundamenta-se na análise de três jornais locais: Diário da Borborema (Campina Grande), O Norte e A União (João Pessoa)[1]. Investigam-se as práticas discursivas de jornalistas, feministas, médicos-pediatras e poderes públicos acerca de temas como planejamento familiar, domesticidade, métodos contraceptivos, violências de gênero; práticas estas que, segundo os governos locais e nacionais, comprometeriam o futuro da nação. As reflexões pautadas nos referenciais teóricos de Helena Hirata e Kergoat (2007) e Jules Falquet (2010) discutem a ambivalência da invisibilidade do trabalho doméstico e os limites e possibilidades do conceito do corpo-território. Como resultado dessa investigação, observa-se que a feminização do trabalho doméstico contribui para a produção social de um corpo vulnerabilizado (Chatel; Soulet, 2003) e como um corpo-território (Longhurst, 1994; Cabnal, 2015; Segato, 2005) intrínseco à esfera privada, voltado ao cuidado da prole e do lar e moldado por imperativos morais.

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Publicado

2026-08-31

Como Citar

SALVIANO RAMOS, Gilmária. Corpo-território, trabalho e gênero: O corpo materno extensivo da casa durante a Ditadura . Revista Maracanan, Rio de Janeiro, Brasil, n. 42, p. 01–30, 2026. DOI: 10.12957/revmar.2026.95978. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/maracanan/article/view/95978. Acesso em: 31 ago. 2026.