“Não assino meu nome porque não quero me meter em bolo”

Ingredientes, interseções e fricções da classe trabalhadora – Salvador, BA (1957)

Autores

Palavras-chave:

Trabalhadores, Marcadores Sociais de Diferença, Interseccionalidade, Fontes Criminais

Resumo

O artigo oferece a análise de um processo crime decorrente da queixa de um furto ocorrido na fábrica Boa Viagem, em Salvador (BA), e possui três objetivos principais: (1) examinar os componentes das culturas de classe dos trabalhadores (interações, tolerância e incômodos, gostos e hábitos); (2) demonstrar como suas identificações e rejeições mútuas se sustentam em múltiplos valores, que nem sempre se combinam harmonicamente; (3) analisar a influência de inúmeras segmentações de classe, gênero, cor, qualificação profissional etc., no cotidiano dos trabalhadores. O texto se inspira nos métodos micro-históricos e na historiografia trabalho para dialogar com o conceito de interseccionalidade. Com isso, se pretende demonstrar que as classes sociais se formam a partir de constantes interações verticais e horizontais, apresentando simultaneamente coesões e oposições também.

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Biografia do Autor

Lucas Porto Marchesini Torres, Universidade Federal do Paraná

Professor Adjunto na Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Humanas, Departamento de História. Doutor em História Social pela Universidade Estadual de Campinas; Mestre em História pela Universidade Federal do Paraná; graduado em História pela Universidade Federal da Bahia.

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Publicado

2025-11-21

Como Citar

PORTO MARCHESINI TORRES, Lucas. “Não assino meu nome porque não quero me meter em bolo”: Ingredientes, interseções e fricções da classe trabalhadora – Salvador, BA (1957). Revista Maracanan, Rio de Janeiro, Brasil, n. 40, p. 1–29, 2025. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/maracanan/article/view/85860. Acesso em: 29 nov. 2025.