Narrar o passado com algoritmos: inteligência artificial e visualidade histórica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/intellectus.2026.96476

Palavras-chave:

Inteligência Artificial, Visualidade, TikTok, Humanidades Digitais

Resumo

Este artigo analisa a produção e a circulação de narrativas históricas geradas por Inteligência Artificial (IA) no TikTok, tomando como estudo de caso o perfil @timeportals. Parte-se da compreensão da plataforma como uma infraestrutura algorítmica de circulação de conteúdos, na qual narrativas históricas são produzidas em escala, monetizadas e amplamente consumidas. A investigação articula netnografia, estudo de caso e hermenêutica da prática para examinar formatos narrativos, visualidades algorítmicas e temporalidades acionadas por vídeos gerados por IA. A partir do corpus analisado, propõe-se uma tipologia composta por três visualidades narrativas predominantes: visualidade imersiva de testemunho, visualidade de temporalidade condensada e visualidade anacrônica da historicidade. Argumenta-se que essas narrativas reconfiguram noções de autoria, evidência e autoridade histórica, ao mesmo tempo em que produzem anacronismos, teleologias e disputas de sentidos, evidenciando tensões éticas e epistêmicas do passado nas plataformas.

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Biografia do Autor

Gabriel Antonio Butzen, Universidade Federal de Ouro Preto

Doutorando em História pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Mestre em História pelo PPGHIS da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), onde também concluiu a graduação em História (Licenciatura) e a especialização em Ensino de História da América Latina. É graduado ainda em Filosofia (modalidade a distância) pelo Centro Universitário Internacional UNINTER. Criador do perfil @gabrielantoniobutzen no TikTok, voltado à história pública e à divulgação científica, com mais de 41 mil seguidores. Publica conteúdos e reflexões sobre história, ensino de história e a ditadura militar brasileira, dialogando com linguagens digitais e audiências ampliadas. Pelo trabalho no TikTok, recebeu o selo do Fórum Saberes Históricos, sendo signatário da carta de compromisso ético. Recebeu menção honrosa da Sociedade Brasileira de Teoria e História da Historiografia (SBTHH) na premiação de melhor dissertação em História da Historiografia Geral (2023). Também recebeu menção honrosa por projeto de Iniciação Científica desenvolvido na UNILA, em 2018. Seus principais interesses de pesquisa incluem teoria e história da historiografia, história pública e história digital. Também é associado a Associação Nacional de História (ANPUH) e a Sociedade Brasileira de Teoria e História da Historiografia (SBTHH). 

Tereza M. Spyer Dulci, Universidade Federal da Integração Latino-Americana/Universidade Federal de Ouro Preto

Bacharel e licenciada em História pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado e doutorado em História Social pela mesma instituição. Possui especializações em: (1) Epistemologias do Sul, (2) Estudos Afro-Latino-Americanos e Caribenhos, e (3) Memórias Coletivas, Direitos Humanos e Resistência, todas pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO). Pós-doutorado realizado no Centro de Investigaciones sobre América Latina y el Caribe (CIALC), da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). Entre 2011 e 2023, foi professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Segue vinculada a esta universidade, atuando na Especialização em Ensino de História e América Latina (EHAL), no Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina (PPGICAL) e no Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS). Atualmente é professora do Departamento de História (DEHIS) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), onde também atua como docente do Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS). Tem experiência nas áreas de História da América e História das Relações Internacionais. Editora-chefe da Revista Espirales (UNILA) e da Revista Laje (UFBA). Integra a Associação Nacional de História (ANPUH) e a Associação Nacional de Pesquisadores e Professores de História das Américas (ANPHLAC), tendo sido presidente desta última entre 2020 e 2022.

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Publicado

2026-07-13

Como Citar

BUTZEN, Gabriel Antonio; DULCI, Tereza M. Spyer. Narrar o passado com algoritmos: inteligência artificial e visualidade histórica. Intellèctus, Rio de Janeiro, v. 25, n. 2, p. 113–142, 2026. DOI: 10.12957/intellectus.2026.96476. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/intellectus/article/view/96476. Acesso em: 30 jul. 2026.