Sincretismos e Territorialidades da Umbanda: práticas de (re) existência no espaço concebido brasileiro

pratiques de (ré)existence dans l'espace conçu au Brésil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/intellectus.2026.90632

Palavras-chave:

Geografia, território, Umbanda, Lefebvre, territorialidade

Resumo

O presente artigo analisa a religião de matriz africana Umbanda a partir de suas relações sociais e espaciais no Brasil. O objetivo é discutir as práticas de re-existência, ou seja, estratégias de resistência e adaptação, que a Umbanda desenvolve por meio de seu sincretismo religioso e de suas territorialidades. Essas territorialidades incluem espaços como encruzilhadas, praias, rios, pedreiras e estradas, além dos próprios terreiros, utilizados para oferendas e cultos. O artigo debate se o sincretismo representa um embranquecimento da cultura africana ou uma forma de adaptação e sobrevivência diante do racismo estrutural e da repressão histórica. A análise se baseia no conceito de espaço concebido de Henri Lefebvre, compreendendo a Umbanda como uma manifestação que resiste à ordem instituída e ao capitalismo brasileiro.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

André Victor Mendes Rosa, Universidade Federal Fluminense

Doutorando em Estudos Estratégicos da Defesa e Segurança (PPGEST-UFF); Mestre em População, Território e  Estatísticas  Públicas  (ENCE-IBGE); Especialista  em  Gestão  do  Esporte  (USP-FUNDACE) e  graduado  em Geografia pela UERJ-FFP. Pesquisador do Laboratório do Estudo sobre a Grande Estratégia dos Estados Unidos (LAB GEST-UFF) e do Grupo de Pesquisa Nova Economia do Projetamento (NEP-UERJ).

Referências

ALVES, Glória da Anunciação (2019). A produção do espaço a partir da tríade lefebvriana concebido/percebido/vivido. GEOUSP Espaço e Tempo, São Paulo, Brasil, v. 23, n. 3, pp. 551–563. Disponível em: <https://revistas.usp.br/geousp/article/view/163307>. Acesso em: 15 mar. 2025.

ARRUDA, Mario Alberto Pires de; FONSECA, Tania Mara Galli (2018). Existência enquanto re-existência em tempos de medo”. Mnemosine, Rio de Janeiro, v.14, nº 2, pp. 206−218.

BHABHA, Homi K. (1994). The location of culture. London: Routledge.

BARROS, Sulivan Charles (2008). GEOGRAFIA E TERRITORIALIDADES NA UMBANDA: USOS E APROPRIAÇÕES DOS ESPAÇOS URBANOS. Raega - O Espaço Geográfico em Análise, [S.l.], v. 16, dez. Disponível em: <https://revistas.ufpr.br/raega/article/view/12678>. Acesso em: 13 jun. 2022.

BITTENCOURT FILHO, José (2003). Matriz religiosa brasileira: religiosidade e mudança social. Petrópolis: Vozes/KOINONIA.

CACCIATORE, O. G. (1988). Dicionário de cultos afro-brasileiros. 3 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

CAPONE, Stefania (2004). A busca da África no candomblé: tradição e poder no Brasil. Rio de Janeiro: Pallas.

CUMINO, Alexandre (2011). História da Umbanda: uma religião brasileira. São Paulo: Madras.

DANTAS, Beatriz Gois (1988). Vovó Nagô e Papai Branco: usos e abusos da África no Brasil. Rio de Janeiro: Graal.

ELIADE, Mircea (1969). Origens: história e sentido na religião. Lisboa: Edições 70, 1969.

FERRETTI, Sérgio (2013). Repensando o sincretismo. São Paulo: Edusp; Arché Editora.

GONZALEZ, Lélia (2020). Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa. 2 ed. Rio de Janeiro: Zahar.

HAESBAERT, R. (2004). Dos múltiplos territórios à multiterritorialidade. In: I SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE MÚLTIPLAS TERRITORIALIDADES, 1., Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Programa de Pósgraduação em Geografia da UFRGS, 2004. Disponível em: <http://www.uff.br/observatoriojovem/sites/ default/files/documentos/CONFERENCE_Rogerio_HAESBAERT.pdf>. Acesso em: 6 de novembro de 2025.

HALL, Stuart (1992). Cultural identity and diaspora. In: RUTHERFORD, Jonathan (Org.). Identity: community, culture, difference. London: Lawrence & Wishart, pp. 222–237.

HARVEY, David (1999). The limits to capital. New York: Verso.

IBIAPINA, F. (2021). Sacralizando o espaço: geossímbolos de um terreiro de umbanda. Revista Espaço Acadêmico, Maringá, 21(228), pp. 81-89. Disponível em: <https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/54199>. Acesso em: 2 dez. 2025.

LEFEBVRE, H. (2013). La producción del espacio. Madrid: Capitán Swing.

MARTINS, Leda Maria (1995). A cena em sombras: ensaios sobre o teatro negro e a performatividade da ancestralidade. Belo Horizonte: Mazza Edições.

MOURA, Clóvis (1988). Sociologia do negro brasileiro. São Paulo: Ática.

MOURA, Clóvis (2021). Dialética radical do Brasil negro. 3 ed. São Paulo: Anita Garibaldi.

OLIVEIRA, João Pacheco de (2016). O nascimento do Brasil e outros ensaios: "pacificação", regime tutelar e formação de alteridades. Rio de Janeiro: Contra Capa.

ORTIZ, Renato (1999). A morte branca do feiticeiro negro: umbanda e sociedade brasileira. 2 ed. São Paulo: Brasiliense.

PRANDI, Reginaldo (2001). Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras.

PEIXOTO, Norberto (2008). Umbanda Pé no Chão: Um guia de estudos orientado pelo espírito Ramatís. Limeira: Editora do conhecimento.

PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter (2013). La reinvención de los territorios: la experiência latino-americana y caribeña. In: PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. Territorialidades y lucha por el territorio em América Latina. Lima: Unión Geográfica Internacional, pp. 151-197.

RAFFESTIN, C. (1993[1980]). Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática.

RAMOS, Arthur (1942). A aculturação negra no Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional.

RAMOS, Arthur (1947). Introdução à antropologia brasileira. As culturas europeias e os contatos raciais e culturais. v. 1, Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil.

ROMÃO, Tito Lívio Cruz (2018). Sincretismo religioso como estratégia de sobrevivência transnacional e translacional: divindades africanas e santos católicos em tradução. Trabalhos de Linguística Aplicada (TLA), Campinas, n. 57.1, jan./abr., pp. 353-381.

ROSENDAHL, Z. (2005). Território e Territorialidade: Uma perspectiva Geográfica para o Estudo da Religião. In: ROSENDAHL, Z; CORRÊA, R. L. (orgs.). Geografia: Temas sobre Cultura e Espaço. Rio de Janeiro: EdUERJ, pp. 191-226.

SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura (2016). O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. 18 ed. Rio de Janeiro: Record.

SILVA, Vagner Gonçalves da (2005a). Candomblé e Umbanda: Caminhos da devoção brasileira. São Paulo: Selo Negro.

SILVA, Vagner Gonçalves da (2005b). Orixás da metrópole. São Paulo: Edusp.

SILVA, Woodrow Wilson da Matta e (1979). Umbanda de todos nós. Rio de Janeiro: Freitas Bastos.

SACK, R. D. (2011). O significado de territorialidade. In: DIAS, L.; FERRARI, M. (orgs.). Territorialidades humanas e redes sociais. Florianópolis: Insular, pp. 63-89.

SILVA, Robson Dias da (2012). Indústria e Desenvolvimento Regional no Rio de Janeiro (1990-2008). Rio de Janeiro: FGV.

SANCHIS, Pierre (1995). As tramas sincréticas da história: sincretismo e modernidades no espaço luso-brasileiro. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 28, n. 10.

SAQUET, Marcos Aurélio (2010). Abordagens e concepções de território. 2 ed. São Paulo: Expressão Popular.

SARACENI. Rubens (2009). Tratado geral da Umbanda: compêndio simplificado de teologia de Umbanda, a religião dos mistérios de Deus. 2 ed. São Paulo: Madras.

SHAW, Rosalind; STEWART, Charles (1994). Introduction: problematizing syncretism. In: STEWART, Charles; SHAW, Rosalind. Syncretism/Anti-syncretism: the politics of religious synthesis. Nova York: Routledge.

SIMAS, Luiz Antônio (2021). Umbandas: uma história do Brasil. 4 ed. São Paulo: Civilização Brasileira.

SOJA, E. (1993). Geografias pós-modernas: a reafirmação do espaço na teoria social crítica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

VERGER, Pierre (1981). Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo. 3 ed. São Paulo: Corrupio.

VIEIRA, Carolina Ferreira (2016). Umbanda: Estruturas e rituais. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado Interdisciplinar em Ciências Humanas). Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora.

Downloads

Publicado

2026-01-05

Como Citar

ROSA, André Victor Mendes. Sincretismos e Territorialidades da Umbanda: práticas de (re) existência no espaço concebido brasileiro: pratiques de (ré)existence dans l’espace conçu au Brésil. Intellèctus, Rio de Janeiro, v. 25, n. 1, p. 266–286, 2026. DOI: 10.12957/intellectus.2026.90632. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/intellectus/article/view/90632. Acesso em: 4 fev. 2026.