Sincretismos e Territorialidades da Umbanda: práticas de (re) existência no espaço concebido brasileiro
pratiques de (ré)existence dans l'espace conçu au Brésil
DOI:
https://doi.org/10.12957/intellectus.2026.90632Palavras-chave:
Geografia, território, Umbanda, Lefebvre, territorialidadeResumo
O presente artigo analisa a religião de matriz africana Umbanda a partir de suas relações sociais e espaciais no Brasil. O objetivo é discutir as práticas de re-existência, ou seja, estratégias de resistência e adaptação, que a Umbanda desenvolve por meio de seu sincretismo religioso e de suas territorialidades. Essas territorialidades incluem espaços como encruzilhadas, praias, rios, pedreiras e estradas, além dos próprios terreiros, utilizados para oferendas e cultos. O artigo debate se o sincretismo representa um embranquecimento da cultura africana ou uma forma de adaptação e sobrevivência diante do racismo estrutural e da repressão histórica. A análise se baseia no conceito de espaço concebido de Henri Lefebvre, compreendendo a Umbanda como uma manifestação que resiste à ordem instituída e ao capitalismo brasileiro.
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