Conceito da Comunicação na Formação dos Fonoaudiólogos no Ensino Público do Rio Grande do Sul

Cibele Gulartt Avendano, Tiago Pereira de Souza, Erissandra Gomes, Sidney Gonçalves Vieira

Resumo


A área da saúde passa por constantes transformações no seu modelo de atenção ao cuidado. A comunicação está fortemente interligada a estes processos, potencializando e contribuindo com o aprimoramento das relações estabelecidas, tanto pelo mundo do trabalho na saúde, quanto na formação de profissionais da área. Este estudo tem como objeto a formação do profissional Fonoaudiólogo, oriundo de três Instituições de Ensino Superior (IESs) Federais do Rio Grande Sul, apresentadas como: IES A, IES B e IES C. Objetiva verificar a existência do conceito e do significado atribuído à comunicação nos documentos norteadores do ensino da Fonoaudiologia por meio de uma análise de conteúdo nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e no Perfil do Egresso (PE) contido nos Projetos Pedagógicos Curriculares (PPCs). O estudo apresentou a frequência do vocábulo “comunicação” em cada documento estudado (DCN n=19; PE n=5) correlacionando os termos com os trechos elucidados no texto. A classificação polissêmica encontrada indicou seis aplicações distintas do termo no corpus da IES A e da IES B: presente em títulos e tópicos, atribuído à expressão “comunicação humana”, associado à expressão “tecnologias de comunicação e informação”, vinculado à expressão “comunicação verbal e não verbal”, associado a habilidades de liderança, relacionados a comunicação com pacientes, responsáveis e profissionais de outras áreas. Verificou-se a ausência do termo no PE da IES C. Foi possível também perceber discrepâncias conceituais nas DCNs, no que diz respeito ao entendimento da comunicação enquanto habilidade e não como uma competência profissional. 


Palavras-chave


Comunicação; Fonoaudiologia; Ensino Superior; Avaliação Educacional;

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DOI: https://doi.org/10.12957/sustinere.2021.53891

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