Contribuições do Maracatu de Baque Virado na Educação Antirracista

Michele Távora Julio

Resumo


A criança quando brinca movimenta-se descobrindo além do seu corpo, o mundo e reinventa-se a cada desafio que lhe é proposto. Nesse processo relaciona-se com a cultura e o universo em que vive e desvenda a cada dia, dando significado a ele. Este artigo teve como objetivo geral descrever e refletir sobre a rotina e as características do desenvolvimento das crianças da Nação do Maracatu Porto Rico, localizada na Comunidade do Bode, em Recife-PE, a fim de compreender com mais apreço as particularidades da construção da identidade destas crianças e sua contribuição para uma Educação Antirracista. De natureza qualitativa e descritiva, foram analisados os documentos nacionais relativos à Educação Infantil e Relações Étnico-Raciais, evidenciando entrelaçamentos subjetivos com acontecimentos reais, das relações étnico-raciais na Educação. A pesquisa compreendeu o período do Carnaval 2016, acompanhando todo o processo carnavalesco que começou em setembro de 2015 até o momento final, com o desfile das agremiações campeãs.  A Nação do Maracatu Porto Rico desempenha papel civilizacional na vida das crianças, com a incumbência de preservar a história de resistência da Comunidade do Bode, e atua na manutenção da luta contra o racismo e o preconceito religioso, e a valorização do (a) negro (a) que revela em sua estrutura a origem de matrizes africanas ou já elaboradas como afro-brasileira.


Palavras-chave


Educação antirracista;Maracatu de Baque Virado;Educação das Relações Étnico Raciais

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DOI: https://doi.org/10.12957/sustinere.2021.51038

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