Filosofia da ciência e evolução: uma contribuição ao ensino. Parte 2. O que é uma teoria?

Francisco José de Figueiredo, Levy Aquino de Oliveira

Resumo


A falta de conhecimento básico em filosofia da ciência por parte de professores e alunos tem proporcionado, em diversos níveis, impedimentos quanto à assimilação de conceitos fundamentais da investigação científica, notadamente hipótese, lei, fato e teoria. Consequentemente, o ambiente social subjacente torna-se propício para a disseminação de informações falsas e a instalação de propostas pseudocientíficas. Como pré-requisito para a compreensão do metafenômeno evolutivo, conceitos básicos e outros correlatos são analisados e discutidos, com exemplos aplicados ao evolucionismo moderno.  A estrutura interna de uma teoria científica é discutida à luz de diferentes correntes de pensamento da filosofia da ciência contemporânea e a legitimidade da teoria evolutiva é avaliada.  Categorizações das ciências são apresentadas e discutidas com ênfase na questão da historicidade. Assume-se que o conflito entre ciência e religião pode ser atribuído à falta de distinção explícita entre linguagens literal e simbólica; as duas formas de aquisição de conhecimento possuem caminhos e objetivos diferentes e podem conviver em regime de iluminação recíproca em sociedades com reduzida disfunção social. Apesar das controvérsias e debates quanto a mecanismos e processos envolvidos, a teoria evolutiva gera predições, mostra elevado acúmulo de evidências empíricas e resiliência ao acomodar novos dados. Acrescida de influxos recentes, permanece como a melhor explicação para a história da biodiversidade em nosso planeta. A proposta alternativa de “criacionismo científico” não se sustenta pela total falta de evidências empíricas, baseando-se em argumentos tautológicos, falaciosos ou intestáveis.

Palavras-chave


Filosofia da Ciência; Método científico; Evolução; Ensino de Biologia

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DOI: https://doi.org/10.12957/sustinere.2020.50835

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